terça-feira, 2 de agosto de 2016

Lá em cima




Voar

Para quem quiser mas não para mim.
O stress que me invade de véspera, o fazer mala à última hora, o querer estar o menos tempo possível no aeroporto.
Já tinha medo. Mas o mundo tornou-o mais forte, mais efusivo, mais descontrolado.
E, hoje uma menina de uns 6 anos pediu-me tão delicadamente para ir à janela.. E aqui estou eu no lugar do corredor. Não posso ver nem mar nem terra nem nuvens. Acho que à janela posso ver os santinhos todos para que me segurem sempre até ao destino. Agora rezo para que pelo menos os hospedeiros me alegrem a vista e me distraiam no caminho. Sim, eu também sou das que não dorme. Fecho só os olhos. Sejam 2 horas ou 10 horas de voo. Então no último longo curso foram 4 filmes seguidos. 
Nunca me habituo. Nunca seria hospedeira ou capitã de uma nave destas. Jamais.
Então agora há sempre alguém que me parece fazer parte do Estado Islâmico ou de uma outra seita qualquer. Até consigo decifrar quem tem indícios psiquiátricos só pelo olhar! 
Alerta, alerta, alerta. 
Não me controlo. Mas o Gin Tónico a bordo controla-me. Só 1, mas resolve.
Há um abanico e lá olho eu para a queda das máscaras. Casa de banho? Tenho bexiga de enfermeira, aguenta. 
Depois penso, não posso ir já daqui embora, não é a minha vez. Tenho muito para fazer e muito para conhecer. E lá vou eu. E chego ao destino. Vou ser pássaro na próxima volta. Ou sucumbo à loucura da minha imaginação sem precedentes.