Mostrar mensagens com a etiqueta Mamã. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mamã. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O caminho - Em modo Variações.



Eu quero chegar lá aonde não cheguei. 
Eu quero aquele lugar onde não posso estar. 
Quero ver as pessoas que não consigo ver. 
Quero sempre dizer aquilo que acabo por não dizer. 
O querer mais no amanhã, daquele que não o é agora. 
Constantemente a desafiar a lei do caminho que deve ser o caminho. 
Uma maniazinha de furar mais ali na esquina ou de escolher aquele trilho que não era suposto. Aquela irritante teoriazinha do dar tempo ao tempo e tudo virá. 
Aquele insistir em mudar o rumo, quando tomo o lugar do António Variações e passo a estar bem onde não estou.

ahhhhhh vida, vida. Minha queria amiga. Companheira ciumenta do caminho.

Foram tantos e tantos os posts sobre regressar a Portugal. 
Tantos mas tantos. 
E regressei. 
Estou assim meio que a meio. Talvez se tivesse arranjado um lugarzinho ali na costa Francesa a meio caminho - Bordeaux ou Nantes... assim meio a meio, tivesse sido mais fácil!. 

Estou cá e lá que é para não sentir nem muito o regresso nem pouco a despedida.
E a vida tem sido tão vertiginosa que os meses estão a passar e ainda há tanto por alinhar. Mas é tão bom recuperar o ninho aos poucos. Recuperar aqueles almoços de domingo, o mar em frente, reconhecer os amigos que esperaram por mim e ainda me querem do lado. Mesmo aqueles que ainda não consegui ver e os novos que já fiz.
6 meses já contam novas estórias que já fazem história. E lá vem o Variações desalinhar os meus chakras.
E agora acrescento: LOL.
mean it!
Laughing Out Loud.

É que agora sei, que o que doeu ao longo dos anos foram apenas escolhas. Porque agora sei que escolhas trazem sempre um trade-off agridoce que nos fazem querer estar onde não estamos. Não existem lugares perfeitos, empregos perfeitos, pessoas perfeitas. E se não somos perfeitos,  como poderiamos exigir perfeição em tudo o resto?

E finjo ter paciência para a incerteza, para os medos que assaltam em vésperas de novas mudanças.
O meu avô Jo diz que isto é viver intensamente. Que assim seja. 

Porque fazer este caminho, tomando-o como garantido, é errado. A vida dá e tira num piscar de olhos. Há quem diga que a liberdade e a sabedoria são o melhor que se leva daqui. Que se leva não sei, porque a vida vai parar um dia, e eu não sei para onde vou, nem o que vou levar comigo. E se for para o céu como gosto de pensar, então vou lá ter tudo o que precisar e ver toda a gente que quero ver.

Mas, se for mesmo isso que se leva daqui, então que sejamos livres no ser, no estar, e que possamos guardar sabedoria suficiente para amar e querer. Que a vida é breve, e ciumenta.


ps - Escolhi esta fotografia tirada em Fátima porque primeiro, a adoro. Adoro a calmaria das nossas expressões. O descanso do lugar e da pasmaceira garantida que lá se viveu. Mas, também porque o ano 2018 é marcado por uma distância de 20 anos desde que a a minha Mãe morreu. E foram 20 anos que agora, a cada mês que passa, tento torná-los mais doces. A idade traz-nos alguma inquietude e um querer viver mais, mas também melhor. A mágoa e a dor ocupam-nos sempre demasiado espaço. 

sábado, 15 de agosto de 2015

o Papá

No mínimo, um filme de luta, boxe (o que lhe quiserem chamar) proporcionaria um momento de horror, impressão, vontade de virar a cara. 

A mim não.. a mim colocou-me a chorar por 3/4 do filme, no total.

Southpaw. 

Devo dizer que se trata de um filme de boxe mas mais para o lado do drama. Billy Hope, um lutador de boxe que perde a mulher, morta acidentalmente por um grupo rival, entra num mundo de drogas e álcool, acabando por perder a casa, carros e mais importante, a custódia da filha. O filme revela a verdadeira "luta" na reconquista da vida, da coragem, e da filha.

Não devo precisar de dizer muito mais para se perceber o porquê da minha choradeira.

A verdade é que dei por mim a refletir na vida, na morte da mãe e na vida do meu pai. Dei por mim a agradecer o verdadeiro lutador que tenho em casa. Um homem que nunca se entregou ao desespero que a dor de uma perda pode trazer associado. Um homem que nunca nos deixou e que nunca deu azes a que de alguma forma se coloca-se em causa a sua forma de educar ou de nos proteger. 

Não existem livros ou instruções. Mas deu sempre o melhor do Melhor.

Parece uma tontaria estar a pensar nestas coisas, ainda mais agora 17 anos depois. Mas talvez pela idade, pela angústia de só agora começar a perceber o que será de facto - perder alguém que se ama, com quem se tem uma vida, com quem se construiu um sonho, com quem se tem duas filhas pequenas, com quem de alguma forma era a responsável pela gestão da casa, da rotina. 

Eu não me lembro de como nos despedimos na primeira noite que dormimos os três sozinhos em casa sem a Mãe. Calculo que não tenha sido "Boa noite". Mas não me lembro. Talvez teremos ido cada um para seu quarto e não sei mais... mas a Mãe não dormia todas as noites ao meu lado. Dormia todas as noites ao lado do pai. Como será?

Eu não me lembro de como nos cumprimentámos nas manhãs seguintes e nas outras, e nos meses e anos que se seguiram. Sei que a vida passou e se reconstruiu e se reencontrou. Mais vale não se remexer.

Mas lembro-me, e, isso sim, de que não se falou durante muito tempo. Não se mexeu em nada durante muito tempo. Como se fosse um lugar proibido. Às vezes, muitas vezes, ainda o é. A emoção invade e arremata tudo. Arremata palavras, vontades, dizeres, sentimentos.

Resta-me e agradeço por estes filmes terapêuticos em que sentada no cinema sozinha posso libertar cá para fora tudo. Tudo o que faz dói dói.

Resta-me amar o Pai e agradecer todos os dias a alegria e o orgulho de ele ser o meu.

domingo, 3 de maio de 2015

Mamãs



Não será preciso dizer que as lágrimas saltaram durante 2 minutos e 8 segundos e de uma forma meiga e ternurenta.

Mas não deixo de imaginar se ainda a reconheceria de olhos fechados.
Se o toque da pele seria o mesmo.
Se as bochechinhas seriam macias.
Se o cabelo seria curto e se os brincos ainda seriam as argolas de ouro.
Se o som do beijinho seria igual e se o tom do riso ainda seria contagiante. É isso.

A quem ainda pode ver sem estar de olhos vendados: Um excelente dia da Mãe!
A todas as Mães: Parabéns.
A todas as mulheres da minha vida que de alguma forma diminuíram a ausência: Obrigada!

A ti P., Muito Muito Obrigada, Feliz dia da Mãe

sábado, 4 de abril de 2015

És o maior Pavarotti.


Já me tinha esquecido de como era sentar-me assim no chão, envolvendo os joelhos nos braços à espera que a crise passe. Que a fase aguda da dor no peito sucumba. Se evapore. Faz me lembrar um pouco a ressaca e o álcool. Também dizemos sempre que nunca mais bebemos. Também dizemos sempre que nunca mais nos vamos apaixonar ou deixar levar por qualquer coisa dessas, ou o que quer que seja isso! Fechar os olhos e deixar as lágrimas escorrerem pela face até penetrarem nos lábios e nos oferecerem aquele gosto meio que salgado e doce?! Nem sei descrever. Sei que tem um sabor. Sei que o conheço, quando assim acontece. Eu preciso destes tempos. Destes momentos. As coisas precisam de lutos e as pessoas também.
E depois sinto que estou a alucinar!! Ponho Pavarotti de fundo. E ele e o meu amigo Sting resolvem a situação e acabo a rir que nem uma louca! Eles têm o poder de me dar colo quando preciso. Pois não há banda sonora melhor para me levar até à minha mãe, do que eles. É o som da minha infância, de férias e pequeno almoços na varanda de Sesimbra. E volto lá. E aí o colo é o preciso, é uno e reconfortante. Mesmo que imaginado. Surte o efeito desejado. As lágrimas saem em desespero, a alma fica lavada e a vida recomeça. Agora vou ver um filme e amanhã é dia de Páscoa. E, como tal, tudo se ressuscita. Estou pior. Ai nossa.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Agora já existe uma estrela com o teu nome (e de verdade!) -18/11/1998-


                                 



No dia em que as barbies foram arrumadas numa caixa, contaram-me uma estória para "me embalar".
Que no fim de contas, eu tinha "agora a sorte de ter uma estrela no céu a olhar por mim".

                       

Na vida é assim, vamos seguindo cheias de ilusões palpitantes na cabeça. Ideias que ocupam o espaço daquilo que não pode ser reocupado.

Não é mais fácil mas sim mais simples para aceitar e seguir.

E foi assim ao longo destes 16 anos. 
De cada vez que me ía um pouquinho abaixo, olhava para o céu e pedia, pedia, pedia... 
"Não me abandones". 
Sentia-me um Simba a olhar naquela noite estrelada, e, muitas vezes revoltada também eu gritava "disseram me que estarias sempre aí para me ajudar".

                 
                  


Mas as estrelas não nos protegem dos trambolhões do percurso. 
Cálculo eu, que iluminem.

Foi difícil aceitar que não era fição.
Foi difícil acreditar que a ausência era a realidade.

Pois fiz questão de saber onde está.
E registei o nome no céu. 
Num local escolhido por mim. 

Não posso mudar o que foi dito ou o que aconteceu. Mas posso fazer por manter uma luz que me ilumine os trambolhões. 

Como disse a Carminho, peço a Deus que me conserve a memória. Chamem-me nostálgica ou saudosista mas a verdade, a verdade é que assim guardo o melhor de nós no coração.

Aqui está a prova em certificado. O mapa é grande demais para o upload.

       

sábado, 21 de junho de 2014

Não acredito que a minha estrela me falhe.

                                     

Já lá vai o tempo em que te escrevia diariamente, mais do que uma vez. Depois passou a algumas vezes por semana, depois algumas vezes por mês, depois passou a anos. Agora, raramente. Não me faz querer-te menos. Não me leva até ao embrulho do esquecimento.
Esqueci-me do som da tua voz.
Acordei às quatro da manhã aflita com isso. Não sei se estava a sonhar e ouvia toda a gente Menos a Ti. 
Estou assustada desde então.
Será que já vais assim tão longe? Foi um sinal teu a dizer-me que te magoei por não ter pensado em ti assim tão insistentemente? Acredita que se estivesse no Seixal ía imediatamente colocar o vídeo e ouvir-te. Talvez acalmasse o meu coração. 
Nunca vai cessar pois não? É essa a verdade não é? 
O meu trabalho tem consumido toda a minha energia. Novas provas, novas responsabilidades. Tu sabes como tenho a mania da perfeição e de não querer que nada corra mal.
Tem sido só a vida a correr Mamã. 
Hoje tive uma consulta com uma esteticista para uma limpeza de pele, com direito a massagem de relaxamento, com explicação em como utilizar a maquilhagem correctamente. Não tivemos tempo para isso.
Depois, saí de lá e fui às compras. Nem de propósito, em cada loja que entrava e ía experimentar roupa, só havia mães e filhas. Só ouvia as opiniões e elas a resmungarem. Fui andar na rua irritada por não me conseguir lembrar de nenhum momento desses contigo. Só num dos meus aniversários em que fomos à Jacadi no Carrefur, vê lá... 1 episódio.
Depois fui sentar-me a almoçar e a ler. Estou a ler Geometria do Amor de Luís Quintino. Um Pai que relata os últimos anos do filho e a luta contra o cancro do filho. Mas acrescento, de Pai e Mãe também. 
E, pensei para comigo, que acto de coragem. Que acto de extrema coragem relatar a cada pormenor o que se viveu e dar ao mundo a conhecer tudo isso. O Isso que talvez me esteja de facto a ajudar no meu luto. No meu luto por ti, pela Leonor, pelos momentos utópicos que idealizo, imagino mas que nunca serão vividos porque assim teve de ser. Já não lamento. Já não me revolta. Serenamente confesso que me deixam apenas triste. Depois tenho de ir comprar uma garrafa de vinho tinto, sento-me à janela e escrevo docemente.
O Dr Quintino descreve tudo com uma clareza tão profunda que nos deixa dormentes. Relata aqueles momentos de silêncio, de incerteza e de angústia com uma certeza real e ferozmente vivida.
Em certas alturas até tenho de fechar o livro porque me recordo do subir das escadas, do caminhar lento do corredor, do virar para entrar no quarto. Seis camas. Ficavas quase sempre na da janela. Sempre a sorrir, sempre tão viva  e forte como esta minha lembrança. Nunca, mas mesmo nunca, pensei que sucumbisses a esta doença. Jamais, posso mesmo dizer-te.
Falaram-me imenso de um filme que estreou. Um romance. Claro que não descansei enquanto não fui ver. Mas, depois de tudo isto desde as 4 da manhã, escolhi o pior dia, ou não. Dizem que hoje o Verão começou. Portanto é o dia maior do ano. Há tempo para tudo.
O filme é um romance. Mas um romance com dois doentes em fase terminal. 
Ora pois.
Fui demasiado inteligente. 
Conspirou tudo a favor de estar aqui sentada, com o meu vinho, a escrever-te. Talvez assim o tivesse de ser.
Hoje tinha coisas combinadas e desmarquei. Tinha jantares que disse que não podia ir porque teria o que desmarquei e, aqui estou, na noite maior do ano, sozinha em Londres. À janela, numa noite quente, num céu que tem duas estrelas ao lusco-fusco do entardecer. E, a verdade é que me pareceu certo estar assim, porque há tempos que não estava assim, pertinho de ti.
Quando o filme acabou percebi que nunca nos preparámos para o nosso fecho. Não me deixaste cartas, não nos abraçamos, não me falaste de ti. Do que foste, do que querias que eu viesse a ser. Não.
Nunca mencionaste sequer que tinhas um linfoma.
Um cancro. 
Um carcinoma. 
Uma merda. 
Podemos dizer uma merda. 
Hoje em dia leio em muitos artigos. De facto, exprime fortemente. Sem clichês. Sem peneiras. Porque o cancro é de facto uma grande bosta na minha vida.
Podíamos ter trabalhado mais tudo isto, como todos os romances das telas de cinema. 
Podíamos ter feito um funeral contigo viva para que de facto visses uma passagem de fotografias maravilhosas que tens connosco, em cada momento da tua vida. Para que não os esquecesses. Podíamos ter escrito poemas e dedicatórias extraordinárias como tu. 
Os funerais deveriam ser celebrados em vida, eu acho. Porque se a vida é isto tudo de rápido, de intenso, de curto, de espacial, de especial... Então sim, no mínimo era o merecido.

Aqui a tua filha Maria passa agora os dias a ajudar casais a terem filhos. Trabalho em fertilidade. Toda a gente critica quando se deparam nos 40. Quem lhes garante que não vão viver mais do que 13 anos com os seus filhos? As minhas colegas fazem os impossíveis para me colocarem os bebés nos braços e tirarem fotos de propósito para provar que os segurei. Não entendem como tenho este pavor de pegar num bebé ao colo.
Assusta-me colocar assim um ser frágil no mundo, assim como me custa segurar-lhes no colo. Acho que o meu pavor em pensar na ideia de ser Mãe pode ser transferido e eles sentem e começam a chorar por nao quererem estar no colo, que é meu. Acho que luto contra a minha própria carência desse mesmo colo roubado.
E sim, tens uma filha desequilibrada.
Mas olha que passam os dias a dizer-me que sou uma mulher muito forte. Estou um bocadinho cansada disso. Não acreditando, não se confia nisso. É tudo e simples.
A verdade é que os meus pensamentos não têm só estado longe de ti. Têm estado longe de tudo. Ocupado por algo diferente.
Lidar com as saudades de quem desapareceu, eu tenho de aceitar. Mas lidar com as saudades de quem está vivo e, que eu espero, à minha espera. Dificulta-me a digestão e o processamento. Não é que não pense em ti, mas, tenho pensado demasiado, ponto e virgula.


Mas continuam a dizer-me diariamente que o país que me espera esta fraco e inseguro. 
Fraca e insegura tenho andado eu nos últimos 5 anos.
Não sei do que se tem medo. Não quero continuar a ser a miúda forte que todos me tendem a lembrar. Irrita-me profundamente pois não é uma opção. Mas se tenho opções, gostaria de as considerar.
E, hoje é dia 21 de Junho.
O dia maior do ano. Indeed.


Ps- patrocinado por

F'OZ FrOm the great river valleys, Product of Portugal'2012 Vinho Regional Alentejado




quinta-feira, 19 de junho de 2014

Belle



"The world is a devastating place. You must learn how to protect your emotions."

 (Belle, British Film about slavery in 1729)

domingo, 4 de maio de 2014

Dia da mãe.

                              

                          

                        

                              

Hoje posso deixar-vos dizer que a vossa mãe é a melhor do mundo. E posso porque acredito nisso. Mas apenas porque a minha Mãe já não faz parte deste e sim de um outro que desconheço. Se assim não fosse, meus amigos, lamento informar-vos mas, entraríamos em guerra. As qualidades da Rosarinho daríam bastante luta. Vocês sabem e, sei que concordam.
Lamento muito que o céu não tenha wifi. Fala-se tanto na cloud mas não creio que o o Steve Jobs já se tenha instalado por lá. Queria muito pelo menos um telefonema. Um olá e um estou aqui. Porque aqui ela já não está. E já quase não há mágoa nenhuma nisto tudo. Há uma aceitação que foi trabalhada. Só ainda não existe uma compreensão desejada. Nem nunca vai haver. Porque eu ainda tenho saudades daquele colo e daquela proteção. Quero ser Deus na minha próxima vida. Vou mudar algumas coisas.
Feliz dia das mães para todas as minhas amigas que já o são e para as que ainda as têm por perto.
Feliz dia da mãe às mulheres da minha vida.



quarta-feira, 19 de março de 2014

Feliz Dia do Pai


Ao meu querido e Exmo Comandante das Forças Ocultas (lol)

Sempre pensei como foste capaz de te orientar comigo. Sem livro de instruções, sem prova de garantia ou hipótese de troca.
Sem livro de instruções, tens vindo a construir-me. A cada ano que passa afinas arestas e guias caminhos, trilhando nem sempre pelo lado mais fácil mas, com certeza com uma dedicação e persistência que me têm sido exemplos de vida e de luta.
Sem prova de garantia, tens me ensinado o que é ser verdadeira, fiel, honesta, critica, persistente e preserverante. E, quando digo sem prova de que tudo isto é garantido é porque me abres aos valores mas sempre mos deixaste trabalhar e melhorar a meu tempo.
Sem hipóteses de troca porque não tiveste escolha. Há quem defenda que fui eu quem te escolhi. Já o li em diversos livros e, se o é verdade, foi sem dúvida a melhor escolha de sempre.

Não te vou abraçar hoje. Não te deixei presente na almofada como fiz algumas vezes.
No Domingo, Despedi-me de ti à pressa porque continuo sem querer imaginar o que será para um pai olhar para a filha e vê la chorar.
Serás sempre o meu Rei.

Este ano, de presente, aqui ficam as minhas palavras lamechas.
Amo te papá.


domingo, 17 de novembro de 2013

Vou continuar a cansá-los para que nunca te esqueçam.

Por várias vezes, a nossa capacidade de recordar dá azes de sua graça de quando em quando. Se me perguntarem o que fiz ontem há um ano, dois, três ou mais, não vou conseguir recordar. O mesmo se aplica ao dia de hoje ou o de amanhã.
Mas, no ano de 1998, a história é lembrada. Tudo passa como numa fita de um filme. O que fiz no dia 17, no dia 18, e, nos dias que se seguiram. Uma data que tem o peso que eu lhe quiser dar ou estiver disposta a. Já passaram anos em que nada senti, uns outros em que só abraçando a minha irmã pude compreender que há alguém que sente como eu.
Mas, desde há uns anos que a data não é capaz de me fintar e passar despercebida. Penso que na adolescência foi passando assim mais ou menos com umas gotas de álcool e festas mas, agora em adulta, o dia é longo. Muitas vezes como tantos outros que não têm lugar cativo no calendário anual.

Sinto-me como na imagem abaixo.
Uma adulta infantil. 
Uma criança madura.
Um ponto de rebuçado cozinhado em banho Maria.

Uma mistura de dois mundos vividos e baralhados.

Uma revolta misturada por lamento e remorso.

Adiei dois dias aquela maldita visita ao IPO. Tudo por um simples teste de inglês que foi adiado de Segunda para Terça e de Terça para Quarta.

Quarta, dia 18 de Novembro de 1998.

Incrível como a minha Mãe ía desaparecer para todo o sempre e eu não fui a Lisboa no dia 17 por um teste de inglês? Um teste que tirei Excelente, como todos até ao 9ano. Ser aluna de 5 a tudo era a minha especialidade e principal prioridade. Que melhor pessoa isso me tornou! Sim senhora Maria. Um orgulho irónico brota deste peito revoltado a cada passo dado naquelas efémeras horas da vida da minha Mãe.

Aquela Mãe. Que todos teimam em falar de uma forma tão calorosa e respeitada. Uma senhora. Uma verdadeira Senhora. Uma mulher que todos tendem a lembrar com um carinho e amor inexplicável.

Às quatro e um quarto saí do cabeleireiro. Fui esticar o cabelo e, ao chegar a casa fui olhar-me ao espelho. Pronta para esperar pelo pai e ir para Lisboa ver a mamã que, se tudo corresse bem, viria para casa connosco.
Ao sair da minha wc, o pai cai de joelhos à entrada do meu quarto. Ainda hoje, depois de 15 anos, o meu choro fica preso e as minhas mãos param esta escrita para as levar à testa e me segurar.

Não preciso de entrar em pormenores.

Levaram-me dali e só voltei no dia seguinte para uma igreja sobrelotada de gente vinda de tantos lados em que mais de metade eu nem fazia ideia de onde e porque a conheciam.

E pronto. Já são 15 anos a cair e a levantar como tantas pessoas por tantas outras razões.
Eu não sou diferente mas, sou especial. 

Especial porque sou filha da Maria do Rosário.

                    





terça-feira, 29 de outubro de 2013

Raios numa noite.

A Saudade é de facto "uma ar que vou sugando e aceitando". Leonor és uma emoção que alimenta esta saudade que trago. 
E que saudades loucas hoje! Tem dias, tem noites! A Maria Rosarinho nunca teve facebook senão levava um tag também! 
Vocês devem-se rir muito à custa destes meus delírios.

Vocês não tinham nada que me deixar!! 



segunda-feira, 3 de junho de 2013

Prazer em conhecer-te.

Por diversas vezes, em diversas fases da minha vida, procurei coragem para regressar aos sítios onde me considerei feliz com a minha Mãe. "Considerei" no pretérito perfeito, exactamente porque infelizmente só o consideramos quando o momento já lá vai. E, eu sou especialista nisso.
Há alguns anos que tinha vontade de iniciar esta viagem por lugares onde os cheiros, as pessoas, as cores, os sabores me poderiam trazê-la mais perto. 
A semana passada iniciei essa tal viagem com toda a coragem que essa decisão acarretou. Um medo e uma ansiedade dissipada em saudades de alguém que não conheci de verdade por ser demasiado pequenita.
Regressar a Paris pareceu-me demasiado duro ainda. Sesimbra então, nem se fala! Itália encaixou na perfeição para o primeiro reencontro com o tempo, com espaços, lugares e cheiros.
Escutar amigos da família e família que não via há mais de 15 anos soltou um furacão dentro de mim. Um choro que me purificou e aliviou de uma forma que nunca imaginei. 
Um orgulho bruto por uma mulher adulta que não conheci e que me deram a conhecer devagarinho. Escutar elogios e estórias sobre uma mulher tão importante na vida dos outros, fez me lamentar ainda mais esta impossibilidade de a ter presente no meu dia-a-dia. 

Mas cada vez mais, sem dor e muito mais amor.


                         

                                    

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Ontem foi mais um dia da mamãe

Foi das imagens mais fofas que encontrei.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Data importante para todo "um sempre"

A mamã faria 61 anos. Não consigo usar o verbo no tempo passado. "Fazia" não me faz sentido. "Faria" conforta-me o coração em dias de memórias acesas e latejantes.

domingo, 18 de novembro de 2012

I grew up anyway.



Posso passar horas a olha-la nas fotografias. Posso passar dias inteiros a ligar os videos para ouvir a sua voz. Posso passar  longas noites a serrar os olhos, a morder a almofada e a pedir a tudo o que é sagrado para sonhar com ela. Posso escrever-lhe. Posso cantar-lhe. Posso contar-lhe segredos. Mas não posso trazê-a de volta. Não consigo trazê-la de volta.
Posso gritar-lhe. Posso ralhar e perguntar porque se foi embora. Posso revoltar-me e exigir que tivesse ficado. Posso fazer mil e uma coisas mas nunca a trarei de volta.
Então viver assim tem sido uma aprendizagem. Uma solidificação de ideias e sentimentos em cada passar de anos. Na verdade, uns anos mais seguros, outros nem por isso e ainda outros mais perdidos. Mas, sempre ouvi dizer que tudo se cria. Tudo se transforma e cresce. E, eu não fui excepção.
Agora, mais do que nunca, a saudade revela-se de uma outra forma. Não tanto aquela necessidade educação e encaminhamento mas mais numa forma física e de sentimento de pertença e de segurança. Há dias ouvi de que quanto se perde uma mãe, perde-se também a infância. Para mim é de todo uma grande verdade. Aos treze, catorze anos as minhas barbies deixaram de me fazer sentido, assim meio que de repente.
Mas, de momento, nesta fase adulta seria magnífico vê-la envelhecer do meu lado. Conhecer-lhe os cabelos brancos, sabendo de que cor os iria pintar na próxima ida ao cabeleireiro. Conhecer-lhe a carreira e a sua  opinião face à minha. Conhecer o seu estilo a vestir, o tipo de jóias preferidas, o perfume que estaria a usar, a maquilhagem, os sapatos, o carro...! Saber o que pensa sobre o meu coração, sobre os homens da minha vida, sobre os meus empregos, sobre o que tenho construído. Ir com ela escolher um vestido de noiva, tê-la do meu lado numa maternidade quando chegasse a minha hora. Coisas de mulheres e de meninas.
Por outro lado, vai existir sempre dentro de mim uma mãe jovem, de uma pele morena e sardenta com um sorriso gigante e maravilhoso. E isso, está gravado aqui dentro. Não preciso de fotografias ou vídeos. Já sei de cor. Já sei de cor. Já sei de cor.... e eu cresci, independentemente de tudo isto.

domingo, 6 de maio de 2012


Dia Da Mãe



Lembro-me da minha Mãe todos os dias. 
Não é com toda a certeza, uma novidade.
Ao longo do tempo, sempre aquele vai e vem de momentos. Meses em que tudo se atenua, noites em que as saudades assaltam, questões que perduram sem resposta e ainda alguma mágoa que me leva ao mesmo ponto... 
...Porquê ela? Porquê a minha? Porquê a mim? Porquê a nós?
Não quero com estas perguntas ofender, porque na verdade não queria que acontecesse a ninguém, nem a Mãe nenhuma...
Hoje, não é um dia em que pense mais ou menos, em que me convenço mais ou menos, em que aceito mais ou menos... é apenas um dia em que pura e simplesmente, reconheço e me deparo com a sua ausência física. 
Física. Pessoa. Mulher. Figura. Aperto. Abraço. Dor. Saudade.

Reconheço que não lhe vou telefonar. Nem nunca tive o número da Mãe no telemóvel.
Reconheço que não fui às compras para ela.
Que não fui almoçar ou jantar com ela.
Que não a vi. Que não a ouvi. Que não a estrafuguei de beijinhos como fazia até ela dizer "Já chega Maria, vá vai lá buscar o que te pedi...".

É difícil. Tem sido difícil.
Continuo a afirmar que não deveria ser permitido. Não devia ser possível crescer sem ela.
Mas foi. E tem sido.

E mais uma vez, este dia não é de tristezas. É apenas de lembranças.

Lembranças porque as que tenho com ela foram maravilhosas.
Lembranças porque ao longo dos anos tenho me cruzado com grandes mulheres que em tudo foram como Mães para mim. Já um ano ou dois atrás as nomeei aqui. Hoje não é preciso porque elas sabem o que sinto.

A minha vida sem a minha Mãe não seria a mesma. Com ela por mais tempo teria sido com certeza muito melhor e muito diferente.
A minha vida sem todas as outras minhas mães também não seria a mesma coisa.

Um Feliz dia da Mãe para todas!

Um Feliz dia da Mãe para todas as minhas amigas que foram Mães e para as que estão quase a ser!

Um Feliz dia da Mãe para a minha, esteja onde estiver :*

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Hoje Queria Ver-te soprar as tuas 60 velas.


"Há muitos anos atrás, não suspeitaria de que não estaria contigo no teu sexagésimo aniversário. 
A vida é toda muito tida como certa. É tudo muito certo como de costume. E hoje fazes 60 anos e não estás cá. Nem lá. Nem em lado algum.
60 anos é uma idade que me parece bonita. Terias já os cabelos todos brancos? 
Oxalá estivesse agora a alindar-me para irmos todos jantar. Sim, porque o Avô também faz anos. 84 se não estou em erro.
Já o Pai teria reservado mesa nos Severianos. Teria talvez passado na Vestuari a comprar a tua prenda. Que raio, tudo era tão rotineiro e certo. Tudo é sempre tão programado e igual que não sabemos a saudade que isso nos traz quando já não existe. Quando já não acontece. Quando mais uma vez não estás cá. Quando mais uma ocasião acontece sem ti. Quando mais um ano passa sem o teu festejo. Sem a tua pessoa.


Muitos Parabéns. 
Sei que continuas bonita."

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Still don't know how...

E ali estava eu outra vez. Mais um médico da Consulta Externa que me telefonou a pedir para estar com ele presente na Consulta. Naquelas consultas impróprias para a minha pessoa. Mais um diagnóstico lixado, mais uma vida abalada, mais uns sonhos traídos, mais um período adiado.
Ela sentada, o marido na cadeira do lado e, o médico lá começou..." o resultado não chegou como o previsto, infelizmente as notícias não são as melhores mas vamos ser positivos. Você só tem 38 anos".
Ó senhor doutor médico deixe-se de merdas e avance com o veredicto pensava eu.
"Infelizmente tem um cancro. Mas olhe que é de estadio 1, todas as hipóteses em aberto".
Todas as hipoteses em aberto? Vá à merda. Que hipotese em aberto é que uma mulher tem depois de já ter vencido um cancro da mama há três anos atrás. Tudo de novo? Tudo abalado outra vez? Não bastou uma vez?? Está este singido ao útero ou já está por todo o lado??
Ó que mundo injusto. Ó que mágoas que me assombram. Num momento acho que estou bem, que segui a minha vida, que tudo passou. Mas, depois nestes segundos em que por azar os médicos só me querem a mim na sala desfazem-me em pedaços. A minha doente firma e hirta a receber esta bomba e eu só me apetecia desfazer-me em pó.
Mas lá fiquei, lá ouvi, lá permaneci. De cada vez que oiço isto, sei que continuo a mesma descrente no que toca a esta doença. Para mim, não há sobreviventes. Há aqueles que continuam a lutar com forças do além. E há os que por cansaço adormeceram. Quando tenho de ouvir isto, a minha raiva e tristeza sai do buraco fundo que está escondido em mim e assalta-me a gaveta das memórias e traz cá para for tudo o que há de mais feio. Tudo o que há de mais cruel no que toca a pensamentos.
Por algum motivo não consigo trabalhar em Oncologia. Sei que não ía fazer um bom trabalho, sei que não ía ser boa enfermeira. Talvez por isso queira ir trabalhar ao que chamam o Terceiro Mundo. Salvar pessoas de outra maneira, com outros problemas. Eu sei que isto é de um egoísmo extremo e é por isso que me orgulho de ter a G. na minha vida, que é a melhor enfermeira no IPO português. Engraçado que nos inscrevemos no mesmo dia para ir para lá trabalhar. Até hoje, nunca fui chamada.

E a lição do dia?
A doente olhar para mim aquando a saída e dizer:
" Maria, obrigada por tudo: Já venci um, outro? Piece of cake!"

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Como é que se faz.

18 de Novembro de 2011

"Como é que se faz? Como é que se sobrevive? Como é que a vida nos deixa seguir mesmo sem tantas vezes ter vontade. Às vezes pergunto-me como se faz. Como é que me levantei no dia seguinte e caminhei no meio de toda aquela gente. Como é que voltei para casa. Como é que voltei a estudar, a comer, a vestir, a ir ao médico, a ir à praia, a mascarar-me, a crescer...a seguir.

Como é que se fez? Como é que continuei tantos anos. 13 anos. Hoje já somo mais um. Mais um sem te ver. Sem te cheirar. Sem te beijar. Sem te sentir. Tem sido sempre a somar. Há dias que parece que não passou nem um. Há dias que parece até que não te vi nesta vida, de tão distante que me sinto.
Hoje não quero escrever coisas tristes. E é por isso que escolhi esta foto. As pessoas precisam de se lembrar de ti. Não me interessa se publico isto para meio mundo. Só quero que saibam quem foste, quem és. Só peço dia após dia para que nunca te esqueçam. Assusta-me pensar que os anos passam tão depressa e que deixem de falar de ti.
Que deixem de saber a apaixonada que tu eras por Carnaval. Não falhavas um dia dos três de cada ano.
Que deixem de saber que adoravas praia, que o teu sonho era ter tido um peugeot cabriolet, que uma das tuas viagens favoritas foi a Bruxelas, que tinhas a melhor mão para a cozinha, que tinhas um gosto ímpar, que cheiravas a Trésor da Lâncome, aliás, que fazias colecção de frasquinhos de perfume dos pequenos (miniatura).
Que eras a Mãe mais carinhosa do mundo, a educadora de infância mais querida naquela escola.
Que gostavas de dar só porque era segunda feira.
Que adoravas vir a casa meia hora e fritar dois ovos estrelados om pão de ribamar e uma laranja à pressa e voltares para a escola.
Que adoravas Sesimbra e o restaurante do Sr Batalha.
Que adoravas vinho Muralhas, Lagosta e Cabrito.
Que eras fã número um de amarelo e do Sting.
Que eras a pessoa mais sardenta e com o sorriso mais branquinho que eu conheci.

Foste brilhante. Foste tão brilhante.
Ao longo destes treze anos, mil e uma pessoas se têm cruzado na rua para me vir falar de ti, de quem foste, do quanto eras importante e do quanto a tua figura lhes tem feito falta na vida. Não imaginas quantas!!

Não só na vida deles. Mas na minha. Todos os dias, todos os momentos.

Antes dizia que desde que tudo acabou eu nunca mais havia sido a mesma.
Hoje, penso diferente. Hoje sou diferente porque tu exististe na minha vida o tempo necessário para eu ser quem sou.
Não o suficiente mas o necessário para me fazeres feliz, para me fazeres mascarar todos os anos, não importa onde esteja ou com quem esteja, porque sei que estaremos as duas lado a lado, sempre, feitas palhaças.

Com todo o meu amor,
                                 Maria"

domingo, 11 de setembro de 2011

Colecciono espaços vazios.

Sinónimos para Atenuar:

Abrandar.
Enfraquecer.
Moderar.
Amainar.
Refrear.
Amenizar.
Serenar.
Aquietar.
Sossegar.
Apaziguar.
Harmonizar.

Às vezes para tudo isto preciso de viver outras histórias. Muitas delas em filmes que me fazem chorar. Todas elas me fazem pensar no que poderia ter feito mais. Tento exalar, tento libertar-me, tento emanar e até expelir a dor. Mas volta e meia dou-lhe de beber. E é sempre quando fico aqui fechada nestas quatro paredes. Quando anoitece, quando as fotografias me invadem a memória e o querer do tempo me assalta. É exactamente quando vagueio nos lençóis. No momento em que o corpo me grita que quer dormir e, a cabeça me assalta as recordações sem pedir licença. É nos momentos delicados em que me dera saber se estás feliz por mim. Fazes me falta. Fazes me tanta falta. Colecciono espaços vazios. Depois venho aqui e harmonizo. E o sono volta. E a cabeça sossega. Bons Sonhos.