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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O caminho - Em modo Variações.



Eu quero chegar lá aonde não cheguei. 
Eu quero aquele lugar onde não posso estar. 
Quero ver as pessoas que não consigo ver. 
Quero sempre dizer aquilo que acabo por não dizer. 
O querer mais no amanhã, daquele que não o é agora. 
Constantemente a desafiar a lei do caminho que deve ser o caminho. 
Uma maniazinha de furar mais ali na esquina ou de escolher aquele trilho que não era suposto. Aquela irritante teoriazinha do dar tempo ao tempo e tudo virá. 
Aquele insistir em mudar o rumo, quando tomo o lugar do António Variações e passo a estar bem onde não estou.

ahhhhhh vida, vida. Minha queria amiga. Companheira ciumenta do caminho.

Foram tantos e tantos os posts sobre regressar a Portugal. 
Tantos mas tantos. 
E regressei. 
Estou assim meio que a meio. Talvez se tivesse arranjado um lugarzinho ali na costa Francesa a meio caminho - Bordeaux ou Nantes... assim meio a meio, tivesse sido mais fácil!. 

Estou cá e lá que é para não sentir nem muito o regresso nem pouco a despedida.
E a vida tem sido tão vertiginosa que os meses estão a passar e ainda há tanto por alinhar. Mas é tão bom recuperar o ninho aos poucos. Recuperar aqueles almoços de domingo, o mar em frente, reconhecer os amigos que esperaram por mim e ainda me querem do lado. Mesmo aqueles que ainda não consegui ver e os novos que já fiz.
6 meses já contam novas estórias que já fazem história. E lá vem o Variações desalinhar os meus chakras.
E agora acrescento: LOL.
mean it!
Laughing Out Loud.

É que agora sei, que o que doeu ao longo dos anos foram apenas escolhas. Porque agora sei que escolhas trazem sempre um trade-off agridoce que nos fazem querer estar onde não estamos. Não existem lugares perfeitos, empregos perfeitos, pessoas perfeitas. E se não somos perfeitos,  como poderiamos exigir perfeição em tudo o resto?

E finjo ter paciência para a incerteza, para os medos que assaltam em vésperas de novas mudanças.
O meu avô Jo diz que isto é viver intensamente. Que assim seja. 

Porque fazer este caminho, tomando-o como garantido, é errado. A vida dá e tira num piscar de olhos. Há quem diga que a liberdade e a sabedoria são o melhor que se leva daqui. Que se leva não sei, porque a vida vai parar um dia, e eu não sei para onde vou, nem o que vou levar comigo. E se for para o céu como gosto de pensar, então vou lá ter tudo o que precisar e ver toda a gente que quero ver.

Mas, se for mesmo isso que se leva daqui, então que sejamos livres no ser, no estar, e que possamos guardar sabedoria suficiente para amar e querer. Que a vida é breve, e ciumenta.


ps - Escolhi esta fotografia tirada em Fátima porque primeiro, a adoro. Adoro a calmaria das nossas expressões. O descanso do lugar e da pasmaceira garantida que lá se viveu. Mas, também porque o ano 2018 é marcado por uma distância de 20 anos desde que a a minha Mãe morreu. E foram 20 anos que agora, a cada mês que passa, tento torná-los mais doces. A idade traz-nos alguma inquietude e um querer viver mais, mas também melhor. A mágoa e a dor ocupam-nos sempre demasiado espaço. 

domingo, 6 de setembro de 2015

É já amanhã: 7 de Setembro de 2015


Existem algumas datas ao longo do ano que nunca esqueço e que me trazem a família ao redor. Por razões mais tristes e outras bem alegres! Aniversários, Natal, Dias de Falecimentos e partidas que nos marcaram, Páscoa, Festas por que sim, Inaugurações, Batizados, Casamentos, Momentos porque a vida é para se celebrar.
Mas o dia 7 de Setembro, é, provavelmente, a segunda data do ano que me fascina. Fascina pelo tradicional, pelo convívio, pelo cheiro do povo, pelos sorrisos do chegar, pela gratidão de mais um festejo, pela conquista de se estar vivo e presente naquele dia, pelos emigrantes, pelos reencontros, pelos que já partiram e são lembrados, pelos que nasceram e nos alegram por possivelmente continuarem esta tradição.
O dia 7 de Setembro. Dia do Senhor Jesus. Dia do meu Seixal. Do meu cantinho com vista para o mar. Da minha aldeia que me criou e largou no Mundo. 
Existem anos que por motivos de força maior, sejam elas quais sejam, a nossa presença só lá pode estar em espírito, em pensamento, mas com todo o amor por aquela gente. Dos mais ricos aos mais pobres. Dos mais alegres aos mais tristes. Dos mais velhos aos mais novos. Dos mais doentes aos mais saudáveis. Dos que cultivam mais arrelias aos que espalham o amor só porque sim. Estamos lá todos com um mesmo objectivo: manter a tradição de uma romaria familiar cheia de foguetes, procissões, voltas, comidinha e abraços. E, de joelhos, em frente ao Senhor Jesus agradecemos o ano que passou e pedimos novamente a benção e a protecção de outro que começa. Que assim seja para todos mais uma vez. 


sábado, 18 de abril de 2015

La Fuga


A emigrante que não quer ser emigrante.
Aquela que saiu sem saber exactamente porquê.
Aquela que ao chegar já queria voltar.
Não à criação de raízes.
Não ao assentar como todos os outros.
Não à normalidade dos outros.
Não ao querer ficar.
E ir para onde?
Voltar para o quê?
Meia dúzia de incertezas e mais alguns porquês.
Uma resma de forças e nem falo francês!
Quando vagueia pelas ruas assiste a casais felizes, a multidões que urgem chegar ao escritório, a almoços em movimento em que se o garfo cai no chão por um empurrão, já o dia começa a correr mal!
Assiste ao passear do cachorro pelo parque, aos primeiros passos do bebé e ao desportista madrugador.
Como assentar num país onde não se quer ficar.
Como arranjar o cachorro se não se tem casa própria.
Como convidar amigos a jantar se a casa é partilhada com estranhos.
Como comprar o carro se conduzem ao contrário.
Como discutir com alguém que não sabe da tua cultura?
Mas lá fora é que é bom. Lá fora é que se está bem. Portugal não é para si.
E vai chegar o dia em que vai aceitar que vai ficar?
Ou vai continuar a adiar cada investimento, cada vontade, cada prioridade?
E vai andando na altivez dos elogios profissionais.
E vai à procura de alternativas.
Vai na encruzilhada do labirinto da fuga.

sábado, 20 de setembro de 2014

Setembro de 2014. Pouco diferente a minha revolta.

                            
Mais um Setembro. Mais um regresso. 
Mais um final. De um verão "mal amanhado", de uma procura ansiosa, de uma explicação para a história, de uma aceitação de "crise".
Duas semanas a ouvir constantemente "não voltes", " não faças isso à tua vida", "estás doida, lá é que tu estás bem".
Aqui é que eu estou bem.
Aqui é que eu estou bem.
Ando a convencer-me disso há mais ou menos de uns três anos a esta parte.
Fez no passado dia 3, 5 anos em que fechei uma mala de 23 kg. E foi isso. 
Minto. Tinha mais 8 kg na mala de mão.
E lá vim eu, com uma mão na frente e outra atrás. 
A da frente procurava o caminho, incerto, medroso, sem ninguém do outro lado à espera. 
A de trás puxava o camião de sonhos que me arrastava até aqui. 
Há dois anos que encontrei um dos sonhos e sosseguei. Estava pronta para voltar.
Passou um Setembro, outro e outro...
Mas, aqui é que eu estou bem Maria.
Procurei outros sonhos.
Uns ficaram pelo caminho.
Arranjei outros para me manter. 
Mudei de direcção na profissão, embarquei e aqui vou eu em modo 300 à hora! Em recta acelerada. Talvez seja bom para o cv, pensei eu.
Tão bom para o cv que decidi que já tinha forças para voltar.
Voltar.
Decidi entregar o tão bonito currículo em Portugal.
Em cada sítio que entrei, esperei em média 1 hora pela enfermeira responsável. 
Não têm tempo, não têm pessoal, não param um minuto. Pararam dois segundos ou três para me ouvirem gaguejar entre um nervoso miudinho, de onde vinha e o que queria.
Acho que não vale a pena descrever as caras que se transformavam à minha frente. Parecia que queriam dar o delas para troca.
De cada sítio de onde saí, esperei em média 1 hora para me recompor dentro do carro. 
Não vai haver tempo para esperar, não vai haver lugar para colocar pessoal, não vai haver um minuto para ler pelo menos a minha carta de apresentação. Parei dois ou três segundos o choro e conduzi devagar pelas ruas de Lisboa. 
Fui vagueando entre as avenidas. Como é linda Lisboa.  Como eu queria viver ali. Ali tudo é tão meu. 
Eu adoro Londres. E vagueio muito por aqui também. Vou por aqui a pé a tentar. Vou persistindo diariamente. 
Há 1825 dias mais ou menos... Há que retirar o período de ferias!
Na quinta-feira a família teve um jantar.
Desisti do skipe. Não aguento mais ver a vida a passar a cores no ecrã do IPad.
Estou revoltada.
Porque todos querem sair e eu quero voltar.
Vou reformular.

Porque todos estão a ser obrigados a sair e eu sou obrigada a ficar.

E o que vai ser do país? Um país fantasma?
Admiro quem fica e quero juntar-me a eles. Mesmo que depois me arrependa, reconheça o erro e volte a partir para outro lugar no mundo. 
A primeira partida doeu, sarou mas ficou cá essa força se for preciso repetir.
Mesmo que tenha de encontrar novos sonhos.

Às vezes, à noite, cruzo os dedos, fecho os olhos e quero acreditar com muita força, de que o tempo possa segurar as pessoas que ficam por ver e abraçar, as palavras que ficam por dizer, as coisas que ficam por fazer, os momentos que ficam por viver.


                      

         





  

domingo, 23 de março de 2014

Mi abuelo








Ontem quando saía da Clinica recebo a mensagem de que o avô tinha acabado de ter um acidente de automóvel. "Está tudo bem, só está assustado".
Está tudo bem.
Está tudo bem.
Está tudo bem.

Caminhei pelas ruas londrinas que, devo confessar, em alturas do aperto, parecem me o lugar mais inseguro e frio à face da Terra. E matutei as palavras do Está tudo bem.

A minha sorte é que nos últimos 4 anos está sempre tudo bem. Tudo acontece mas está sempre tudo bem.

Estou de facto cansada disto. 
De nunca lá estar.
E, hoje ao telefonar-lhe, ficou tudo ainda mais claro.

Decidi ir caminhar pelas ruas novamente porque a resposta foi diferente.
"Obrigada minha Neta. Obrigada pelo teu telefonema de conforto".

Telefonema de conforto..
..pois, não lhe posso valer demais.

Depois choramos tudo. Limpamos as lágrimas e voltamos para casa. 

terça-feira, 18 de março de 2014

Days Like those leads to nights like this.

É preciso escrever de novo? É preciso reflectir sobre isto de novo?
Sei de cor a quantidade de vezes que fui e vim durante os quatro anos e meio que já lá vão.... 19 vezes em 237 semanas.
E o cansaço desta choradeira toda arrebata-me o sono. Fico tipo adormecida meia que morta mas, não sou a bela e nem tenho três fadas madrinhas para me deitarem um feitiço que me faça voltar, já ontem.
O ditado dos dias de muito e vésperas de nada é tão certo e sabido.
Quando lá regresso, passeio à pressa, durmo à pressa, corro à pressa, tomo banho à pressa.....para não perder um segundo que seja do dia ou da noite. Se dormir 2 a 3 horas chega para a emoção seguinte.
Quando de lá regresso, durmo sem querer acordar, fico presa no chuveiro a deixar que a água arraste o peso da chegada, levanto-me devagar e ao fim de dois toques, ando devagar para onde não quero ir.
Começo a chegar a uma conclusão. Se a ansiedade do ir me alimenta aquando um mês da viagem, acho que tenho de começar a ir 1 vez por mês! Assim, quando regresso, começa a adrenalina da partida.
De cada vez que vou, oiço as vozes de quem se revolta num pais de injustiças e dificuldades trazidas por uma crise sem precedentes, é um facto. E é certo que só me querem bem ao dizer para continuar e seguir com garra e vontade. Mas vontade de atingir o quê? A experiência que queria obter de Londres parece-me que teima em chegar ao fim a olhos vistos. Mais um tempo e faço as malas. E assusto toda a gente quando afirmo isto. Assusto-me a mim mesma. Mas nada compensa o vazio que estas ruas me trazem até casa. Nada compensa a noite. Nada compensa a agonia quando a internet falha. Nada compensa tudo o que me forço a fazer para compensar estas ausências.
Mas vou seguir como das ultimas 19 vezes até o discurso sossegar.
                     

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Carta ao Exmo. Sr Presidente da República

Exmo. Sr Presidente da República,

Sabe onde me encontro neste momento?

Sentada no lugar 5A do voo Tap com destino a Londres. 
Quer saber de uma outra coisa interessante? 
Já perdi a conta das vezes que me sentei nestes aviões.
Dizem que estou emigrada. 
Dizem.
 Eu, passados 4 anos, feitos este mesmo mês, quero acreditar que não. Que estou só de passagem. Quero acreditar que vim para Londres em busca da Pós graduação e que vou voltar" ontem"!
Quando ainda andava no liceu, era um luxo ir para uma cidade europeia estudar. Achava eu que era de meninos bem!
Não sendo essa menina bem, sempre ansiei pela minha Medina tropical numa faculdade inglesa! E assim aconteceu. Com um ligeiro problemazinho... Não me avisaram que quando a pós graduação acabasse eu não poderia voltar ao serviço que deixei em 2009! Fechou. Também não me avisaram que os enfermeiros iam ficar a receber menos do que uma senhora mestre de limpezas, das quais não tenho o que dizer (não me interprete mal) pois o facto de não serem graduadas não faz delas um ser menos admirável! Também não me avisaram da eliminação das horas extraordinárias nem de que se fosse fazer um turno da noite numa ceia de Natal seria paga da mesma forma que numa manhã de uma semana normal!
Olhe uma coisa, eu nunca quis ser rica Senhor Presidente, mas ao contrário de si, não posso abdicar de ordenados ou reformas. Eu e muitos portugueses, temos contas a pagar. Queremos viajar e conhecer o mundo em lazer. Queremos construir família no local onde somos felizes! Queremos que os nossos avós nos vejam frequentemente. Queremos estar nos aniversários dos amigos, queremos ver os nossos pais envelhecer, queremos ver as amigas grávidas e os filhos crescer! Queremos estar no sofá enrolados no colo dos nossos manos.
Sabe onde sou feliz? 
No seu país! Desculpe, reformulo a frase, no nosso país!
E agora poderia dizer me assim, "Maria, mas pode voltar, ainda pedem enfermeiros em certos lugares". 
Pois pedem Senhor Presidente! Mas sabe o que é trabalhar com um contracto mensal e ter de tirar dois dias de férias em cada mês sem saber se no mês seguinte somos requisitados?
Não não sabe. E eu já trabalhei assim, portanto eu sei!
Sabia que em 2008 trabalhei em 3 sítios diferentes para tirar 1250 ao fim do mês? Olhe, eu e o meu pai ( com quem vivia na altura) parecíamos o guarda nocturno e a mulher a dias! Era raro sentar-me com ele no sofá! Cheguei a ter mochila no carro e tomar banho no hospital antes de sair para a clinica, voltar para fazer turno da noite e as 9 da manhã já estava numa farmácia regional a dar injecções!! Nunca cometi um erro mas sei que não poderia continuar naquele ritmo! 
Ninguém me apontou uma arma para sair do país! Era uma trabalhadora esforçada e sempre soube que de início enquanto jovem teria de me aplicar! Sair foi a minha opção mas o facto de não poder regressar não passa por ser escolha... É como se fosse obrigação! E agora já penso em regressar mas não como enfermeira. Estou disposta a trabalhar numa outra área porque não acredito que me realize enquanto enfermeira no seu país! Desculpe, no nosso país! 
Mas sabe o que me respondem os meus amigos que com dificuldades vão insistindo em viver em Portugal? "Está difícil em todas as áreas Maria!".
Pois é Senhor Presidente, não sei o que fazer.
Hoje, quando o avião se passeava pelas pistas da Portela e as minhas lágrimas saltavam descontroladas dos meus olhos, Lisboa chamava por mim! E digo-lhe, como esta linda esta Lisboa! Quando o avião ganhou velocidade antes de levantar... Aquela velocidade que nos cola as costas do banco, eu por momentos pensei em gritar "espere aí espere aí espere aí Senhor Comandante!! Desta vez eu não vou! Eu não vou! Eu não vou! Eu não quero ir!! Eu não devia ter de ir!!!" 
E chorei voltada para a janela com medo que o passageiro do lado me achasse louca.
Pois é Senhor Presidente. Aposto que nunca chorou num avião, que disparate o meu não é verdade? Aposto  que nunca sonhou com o nosso Cristo Rei com um sinal proibido na mão enquanto o avião entrava em Lisboa!

Um dia volto ao seu país, ao nosso! Olhe, na verdade, um dia volto ao MEU país! Porque se fosse seu e de todos os políticos que mandam e nos que já mandaram, eu não teria muito mais esperança e preserverança na espera. Mas porque o país é meu e dos meus amigos, eu sei que vamos apostar no turismo, nos produtos portugueses e nas nossas capacidades de gestão. Até lá, vou contribuindo para outros cofres de estado, um estado que me rouba mas ainda não tanto como o seu e que pelo menos me estima enquanto profissional de saúde.

Um dia volto e recomeço porque acredito em Portugal e numa mudança digna de dar e cuidar do que é nosso!

Com lamento,

Maria Oliveira






terça-feira, 3 de setembro de 2013

Meu querido (ou não) mês de Setembro... 4 anos britânicos Indeed!

As lágrimas já me correm pela face de há uns dias a esta parte. Não porque "acabou" mas sim, porque está quase a começar. A preparação de mais um regresso a casa. Sou uma emigras romântica e para lá de saudosista, eu sei. Choro porque vivi e pelo que vou viver, eu sei.
Mas desta vez as lágrimas são de uns longos 9 meses de várias mudanças e ultrapassagens. Com travagens bruscas e guinadas à esquerda (para não variar!)
Mas desta vez as lágrimas revelam uma saudade do entusiasmo da ida de há um ano atrás, muito antes da despedida forçada da minha L. Uma angustia associada ao nevoeiro que me trouxe aquele Setembro.
Mas desta vez as lágrimas são porque completo hoje 4 anos de estadia em Inglaterra. Um outro Setembro assustador. Um 3/9/2009 com bilhete só de vinda. Uma chegada a uma britolândia qualquer que não constava na lista de autocarros no aeroporto de Heathrow.
Mas desta vez, estas estúpidas lágrimas são porque com certeza continuo a acreditar que só o meu amigo António me compreende. Eu continuo a só estar bem onde não estou.
Enfim. A grande diferença no meu pensamento, comparando com o de há 4 anos atrás é: a vida não pode ser levada a sério mas sim com prazer em cada segundo da sua vivência com o intuito de ser feliz todos os momentos possíveis, sabendo que por vezes nos vai colocando à prova. É de facto para audazes e persistentes. Venham mais 4! Daqui só saio quando for para abrir o meu Marylandgoesorganic numa casinha com vista para o mar.

Obrigada a todos por receberem sempre de braços abertos esta chorona sem precedentes.

                      

                      

 

terça-feira, 9 de julho de 2013

9 meses e tudo acontece.




                   

Há Dias em que em nada se pensa, nada se questiona e pouco tempo sobra para disparates. Tudo anda num alvoroço, cheia de planos, de viagens, de afazeres. Estar longe ou não, não tem qualquer importância porque o relógio e o tempo nem se fazem notar.
Há outros dias, por sua vez, que a palavra E.M.I.G.R.A.N.T.E me magoa. Me aperta no peito e me faz sentir falta de ar. Falta do mar à minha frente. Aquela imensidão que à mínima angústia, sempre me acalmou. Sempre me ajudou a seguir. A decidir, a esperar, a saborear sem pressas. É desse mar que sinto. É da minha Areia Branca que sinto. É daquele meu fim de tarde que sinto. É daquele pôr do sol revitalizante que anseio. 
Finalmente, este ano dei ouvidos ao que o meu pai me disse há três anos atrás: "Maria, não podes estar sempre a viajar para casa, não que não te queira aqui mas, o mundo precisa de ser visto, Londres tem dos melhores aeroportos para isso".
Mas faz dói dói esta distância em certos dias. Hoje sinto me uma emigrante saudosista. Mesmo sabendo que cheguei de Roma, Florença, Siena, Veneza...e que daqui a duas semanas vou para Barcelona. O mais importante de todas elas é saber que daqui a 8 fins de semana estou em Lisboa, em Torres Vedras, na Marteleira, na Lourinhã, no Seixal, na Praia da Areia Branca. 
Ahhhh casa, casa.
Há dias que sou perfeita para o contra. Hoje é o dia.

Estou de tal maneira lamechas que, hoje de manhã, a minha "primeira paciente", apareceu com uma grande barriguinha de 7 meses de gravidez e, eu agarrei me a ela a chorar sem parar. 
E, quando a doente me disse " YOU ARE MY LUCKY STAR", pensei:
A vida é de facto louca e bela.
Portanto, depois acalmo estas saudades doidas com estas lindas novidades.

E, lá está, para um arco íris, é preciso um pouco de chuva.

Fofice :)




Ps- comecei em Novembro a trabalhar numa clínica de Infertilidade em que a minha primeira paciente engravidou ao fim de 9 tratamentos sem sucesso. E, há sete meses atrás, eu fui a enfermeira :)))))

domingo, 31 de março de 2013

Angústias desprovidas de razão.

Bem sei que tenho andado distante. Distante do blog, distante das pessoas, distante do que vai lá fora. Não que o aniversário me tenha surpreendido. Envelhecer não me assusta. Assusta-me passar pouco tempo com que amo de verdade. E, desde que a M. se foi embora para Portugal, tem sido um vazio grande. Por vezes é mesmo preferível que ninguém me venha visitar. É como se tivesse ido a casa e tenho que me fortalecer de novo até a rotina entrar no lugar. Quero mudar de país. Começo a sentir que Inglaterra já me ofereceu o que havia para oferecer. Mas, não sei para onde ir.

Lol.

Palavras soltas de domingo à noite.

quinta-feira, 7 de março de 2013

ObRigAda, ThaNK yOu :)

Se imaginava aos 29 estar onde estou e celebrar da forma que foi, possivelmente não. A maturidade que me tem atacado nestes últimos anos permite-me dizer com muita alegria de que passei um dia muito feliz.
Aos 29 acordei cheia de saúde.
Aos 29 levantei e fui trabalhar. Um dia cheio de risos e boa disposição com colegas fantásticas!
De seguida a alegria continuou porque tenho a possibilidade de usufruir de uma tecnologia brutal que me permite jantar com a melhor família do mundo a mais de 2000 milhas de distância.

E agora?
Agora já li mais de 10 emails de pessoas muito queridas, já fiz um Like a mais de 90 post no meu facebook, porque já atendi telefonemas, recebi postais e pacotes de encomendas que me levaram a lágrimas quentes e bonitas, vindos de diversas partes e pessoas.
São onze da noite e o meu dia está a acabar. Um dia em que sinto que festejei melhor do que há anos atrás. Um dia em que dei valor a rotinas simples mas importantes. Um dia em que palavras valeram mais do que qualquer outra coisa. Imagens e abraços virtuais que de facto se sentiram como se fossem sentidos fisicamente.
De facto, sinto-me melhor aos 29 do que me sentia aos 19! E isso, devo vos a todos vocês! A todos os que têm feito parte desta minha bela e vivida idade. A todos os que já partiram e me levaram junto com carinho.

Um brinde a mim por esta calmaria e serenidade com que vivi este dia sem revoltas, sem saudades doentias e tristes.
Um brinde a mim por ser uma sortuda e estar rodeada de gente que me enche este coração.
Um obrigada gigante desta melodramática e doce Maria que vos ama desta maneira tão ao meu jeito protector e intenso como se não houvesse amanhã!

Um beijo desta fiel amiga, filha, irmã, sobrinha, prima, amante, colega.

Ps- agora vou viver os 29 ao máximo porque para o ano a dimensão é outra (30!!) e há-de ser em terras lusas!!









terça-feira, 22 de janeiro de 2013

À procura do rumo do costume.

Hoje foi um daqueles dias em que em vários momentos me questionei porque raio decidi ser enfermeira. Há dias que me odeio profundamente por ter estudado para ser esta coisa em que os doentes podem tratar mal, os médicos podem humilhar, e todo um resto de equipa também arranja algo para nos dizer! Há dias que me sinto um alvo estupidamente fácil de abater.
Depois nestes dias em que me lembro varias vezes ao dia, que nos últimos anos não gosto do que faço, apercebo-me de que a balança está definitivamente a tombar para o lado oposto ao que desejava. Dou por mim muito mais vezes a pensar de que não gosto do que faço. Já mudei de emprego, de áreas e esta frustração só tem aumentado e não sei mais o que fazer.
Sou eu? É o sistema? É a profissão? Será que não vou encontrar um equilíbrio? Será que não me vou sentir motivada?
Cada vez mais me convenço de que se voltasse atrás no tempo teria sido outra coisa qualquer! E isto é horrível!
Depois, em dias como estes, acontecem coisas magnificas. Às 19.00h tive uma conferência sobre voluntariado internacional numa instituição inglesa. Foi deveras aliciante e, pela primeira vez, desde que acabei a pós graduação, ouvi falar de uma instituição que me paga os gastos, a estadia e as viagens em troca do meu trabalho! Um contracto de 1 a 2 anos com direito a 3 semanas de ferias ao ano! E, com a opção de escolher um dos países onde estão instalados, que varia desde o Uganda, Indonésia, Camboja e pode ir até Moçambique ou Etiópia! Para lá de 37!
De repente vim para casa com este bicho aceso, com esta vontade estranha dentro de mim.
E depois perguntei-me? O que procuro? Do que fujo? Para onde quero ir? E assumi para mim de que se tenho todas estas duvidas, estas questões é porque tenho vontades e ideias que me movem, que não me seguram ou fazem estagnar. Por um lado é magnifico mas por outro um desgaste mental.
A média de idade dos voluntários que deram testemunho e dos que já partiram filiados a esta organização é de 41 anos. Questionei me novamente porque quero sempre tudo para ontem!? Tenho tempo. Tenho tempo. Tenho tempo. Repeti para mim não sei quantas vezes enquanto regressava a casa.
Organizei-me nesse regresso. Esperar pelos resultados da faculdade para este ano. Candidatar-me uma última vez para o ano. Juntar dinheiro nos "entretantos"e partir em 2015 se nada me acontecer e se não conseguir entrar em Medicina. Estou decidida. Saio de Inglaterra em 2015! Já chega!

Vou dormir e esta crise existencial vai sossegar.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Começar um novo capítulo da história da Maria Oliveira.

Faz exactamente agora 12 horas desde que aterrei aqui de novo em vésperas de mudança de ano. Não sei se o facto de ser dia 31 reforçou este vazio mas foi novamente difícil regressar. É sempre mas, tem dias que até as minhas hormonas influenciam!
Foi felizmente mais um Natal cheio de paz, sereno, quentinho e recheado de uma gastronomia sem igual! Mais um ano em que nos sentámos 12 à mesa, o que me conforta sempre muito, pois é sinal de que mais um ano se passou em cada uma das nossas vidas. Haverá para sempre aquele espaço/lugar vazio carregado de memórias mas o tempo não volta e disso eu já tenho certezas.
O tempo em casa, esse é sempre delicioso! Até à pesca fui com a avó! 5 polvos trouxemos as duas para casa. Uma das manhãs mais belas de Dezembro. Uma lua gigante e amarela às 7h em Paimogo. Mas isto de tempo é sempre relativo... Menos de uma semana não dá para nada! Nem para desfazer a mala! E depois existem as teorias, duas, creio eu: a de que quem chega à Terra é que deve ir visitar ou, a de que, porque se está longe de casa 50 semanas por ano, se deve ser visitado por quem nos quer ver. Eu não sei a correcta. Sei que gostaríamos que os dias se multiplicassem, que pudéssemos visitar e estar com todos só mesmo tempo e sobrar-nos tempo para saborearmos o sol na esplanada ou o sofá à lareira! Sei que, desta vez precisei de guindastes para me arrastarem de casa, tal era a saudade do meu quarto, da minha sala, da minha cozinha, dos meus utensílios, do jardim, da varanda onde estendo roupa, da casa das máquinas, de tudinho e mais algum metro quadrado a que pertenço! E, então decorada de efeitos natalícios estava ainda mais bonita e apetecível!
Depois tudo termina. Aquele adeus ao longe quando o carro se afasta, aquele abraço apertado em que pedimos com a maior força do mundo para que nunca termine, aquela lágrima que espreita e tende a cair com vontade própria.
Até o ano termina. E para mim, terminou estatelada no chão! Caí pelas escadas do cemitério ontem de manhã quando me fui despedir de quem já não posso abraçar! Acredito que se tenham rido muito de mim aquelas malandras! Vim com um joelho tatuado!!!!
Então meus leitores queridos, não poderia encerrar mais um ano no blog, sem vos desejar um 2013 sereno e cheio de energia e coragem para ultrapassar as dificuldades. Desejar melhor que 2012 posso estar a ferir susceptibilidades pois todos sabemos que o ano que entrou será deveras complicado! No entanto, desejo muita esperança para um futuro melhor! Até lá vamos escrevendo as nossas vidas, as nossas histórias. Obrigada por irem lendo as minhas. Aquele abraço :)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

De volta à escuridão


A volta deixa sempre este vazio. Esta sensação vaga, disforme, corrosiva que deixa mágoa. Ainda mais depois desta semana de tristeza.... ao ver a minha Leonor partir.
Hoje vaguei à beira rio perdida num espaço escuro e deprimente. Londres apresentasse com 10 graus, com chuva e um céu nublado que carrega ainda mais uma dor que me assalta ao minuto.
Estou seriamente a pensar escrever ao Presidente da Tap, onde já se viu a chegada a Londres com a música que serve de slogan à TAP - Sabes que vou chegar de braços abertos. Quantas vezes vou ter de repetir que em Londres os braços ora estão cruzados, ora carregados com sandes e um Capuccino na corrida para o trabalho, ou ainda ocupados a utilizar um Ipad? Aqui não se recebe de braços abertos.
Por mais que passe umas férias a ouvir que aqui é que eu estou bem, não é fácil, há uma solidão que consome até entrar na rotina. E faz doer.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Ainda vos cativo de cada vez que volto?


Demorei a voltar aqui.
Demorei a voltar aqui porque me arrepiava de cada vez que me ligava. Sabia que se o tivesse feito assim que cheguei de férias, teria escrito mil e uma coisas emocionais e nada mas nada racionais.
Depois de 6 meses longe de casa, ter voltado por duas semanas abriu gavetas e mais gavetas e mais gavetas de sentimentos e saudades. Remexeu demais e tornou ainda mais dificil voltar.
Há dias uma amiga disse-me o que estava certo mas que não queria assumir: Custou-te voltar porque caiste em ti de que Portugal está "cada vez mais longe."
E secalhar está.
E considero isso uma injustiça, uma tristeza, uma saudade doentia.
Durante as férias foram minhentos os desempregados ao meu lado, foram imensas as queixas de um país às avessas com uma crise castradora da minha geração.

Mas, se tudo o que lá deixo, se todos os que lá estão ainda me cativam, então terei sempre um motivo para ir.
Teremos sempre necessidade uns dos outros.

quarta-feira, 7 de março de 2012

OBRIGADA: Um aniversário sozinha a aproximadamente 2.169km de casa


7 de Março de 2012

Hoje agradeço por estar a trabalhar 12 horas. Vaguear pela casa e capacitar-me de que os meus mais que tudo não estão do meu lado seria bem pior. Portanto, não há velas. Não há bolo. Não há sopros nem choros. Não há depressões ou tristezas. Não há desgostos nem incertezas. Apesar de parte de mim estar ainda ressentida com acontecimentos da vida, da minha e de quem eu estimo profundamente, não há lugar para ficar triste. Não há espaço portanto. Por mim e por quem também mo pede para não haver (que eu sei.).

Ontem à noite, ainda senti aquela ansiedade por fazer anos. Vou senti-la sempre. Os meus pais sempre estimaram e preservaram essa adrenalina. Fizeram festas maravilhosas a cada ano, ofereceram presentes magníficos e especiais, fizeram montes de coisas em jeito surpresa, decoravam a casa minhentas vezes para as ditas festas, convidavam todas as pessoas que eu desejava ter comigo, íamos ao carrefour só para escolher um tema e comprar copos, pratinhos, gomas....fui muito mimada, mesmo muito amada!

Depois dos resultados brilhantes que recebi da Universidade, a sensação que me invadiu foi de uma força brutal, de um querer sem igual. De uma liberdade incondicional e, de um orgulho por mim que desconhecia.
Durante os últimos anos, enquanto me conheço como gente, sempre me senti menos. De menos. De menos em tudo. Porque eles são mais magros, porque ela é mais bonita, porque ele é mais inteligente, porque ela é mais forte, porque ele é mais estudioso, porque ela é mais e mais e mais.. Nunca percebi que nunca fui de menos. Também nunca percebi que nunca fui demais. Fui apenas diferente. Um diferente que não pode e não deve agradar a gregos e troianos. Mas, que hoje, a partir de hoje, me está a agradar a mim. Que me vai agradar a mim. Que me vai permitir dar largas a toda a minha imaginação e coragem para arriscar e continuar, seguindo e tentando deixar de lado aquele olhar para trás persistente e sombrio.

Dei por mim a pensar que larguei as "calças" do pai aos 22 para ir para cabo Verde e, aos 25 já estava em Londres de malas por desfazer. Trazia sonhos na bagagem que me quebraram até há bem pouco tempo. No entanto, um Diploma já cá canta, uma experiência como chefia, uma bagagem de auditorias hospitalares e, um melhoramento profundo no meu olhar para a enfermagem, um carinho mágico pelos meus doentes. Prova disso, todas as flores, presentes, cartões para gastar em lojas que me deram, direcionados a mim! Fora todo o dinheiro recusado por circunstâncias da minha pessoa e sem remorsos! Contudo, também já cá cantam facadinhas nas costas. Muitas mais do que alguma vez havia vivido ou experienciado. Já são 28 velas. Talvez isto seja crescer, amadurecer, tornar-me uma mulher mais forte. Mas, na verdade, é difícil lidar com o ser humano. É difícil perceber que são corruptos, pobres de espírito, sem valores e que, então no ambiente de trabalho, passam a vida em competição, com uma inveja que ainda me aflige e perturba.

Tantas e tantas coisas que preenchem cada ano até ao novo aniversário. Novas paixões, novos desgostos. um vai e vem indeciso. Um perceber atribulado de que "só mora quem veio para estar cá (...) só para quem quer permanecer em nós". Mas, a idade também nos revela a serenidade necessária para começar a colocar tudo isso para trás, para aquele lugar que não pretendo voltar a olhar. Não que seja sombrio, mas porque já todos estão encaminhados e ocupados e tratados. Daqui em diante surgirá de novo para mim, numa ventania forte e avassaladora como sempre me atinge.
Podem passar quinhentos mil aniversários mas deixar de amar, de sentir, de dar, de partilhar, de criar borboletas ou de ficar com fastio por meses não será com certeza algo de que pretendo prescindir.

Que os 28 me tragam a possibilidade então de ir para a Índia, Costa Rica, Uganda ou sei lá eu onde...
Que os meus amigos permaneçam comigo perto em pensamento ou em pessoa e que, igualmente como a minha família,  possam continuar a apagar velas por skipe, a deixar mensagens no facebook, a mandar emails ou o que for, mas, que todos à distância de um clic possamos festejar vivos e presentes.

Os meus parabéns e o meu sopro de velas invisível é vosso também :)

ps- e para Ti mamã que nunca te esqueço, o dia também é vosso! (teu e do pai)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ao ver-te ir.


Para sempre e prometo são daquelas palavras que jamais deveriam ser ditas, já nos dizia o autor de Aquele beijo.
Acompanhar-te ao aeroporto atrofiou o pensamento de tudo aquilo que sonhamos juntas. De tudo o que quisemos fazer juntas. de tudo aquilo que planeamos e de tudo o que pretendíamos para o futuro. Para o futuro que era 2012. Tem graça, não é?
Nenhuma.
Já te estás a ir embora. 
Odeio Heathrow. Odeio a barreira que me separa de quem deixo ir.
Não vás com medo. 
Eu não fico com medo. 
Os nossos sonhos vão continuar à nossa espera. Aflitos mas à nossa espera.
A vida e a sorte está cá para quem a quer viver e para quem a quer arriscar.  Ainda não percebemos o porquê de muita coisa. Ainda não percebemos a razão de tanta coisa.
O que desejo?
Que a vida nunca te pare e que nunca te sossegue. Que te faça permanecer minha amiga por milhares de anos e que, já velhinhas estejamos serenas numa esplanada à conversa e com o nosso copinho de gin. 
Havemos de falar dos nossos amores que passaram, possivelmente dos filhos que não tivemos ou, dos que até de nós nasceram e se tornaram grandes pessoas. Havemos de falar de Cuba, de Machu Picchu, de Bali, do Brasil etc etc etc. Havemos de ter tido muito mais para dizer.
Agora levanta voo, levanta as asas de regresso a casa. Muda de planos, muda de certezas, de incertezas e continua a lutar. A luta é o que faz parte do que cá estamos a fazer.
O facto de se perderem batalhas, não quer dizer que perdemos a Guerra.
Foi tudo fantástico. Agora força e sem medos. Os medos congelam-nos as ideias.
Adoro-te sempre, onde quer que o mundo me tenha :)


Não vou prometer coisas ou ideias ou sentimentos. Não vou dizer nada que me obrigue a introduzir Para Sempre...






Obrigada por me dares esta amizade e por fazeres parte da minha vida...


Até fins de Junho (em pessoa....) e, caso contrário, a minha porta está sempre aberta para quando quiseres voltar (ainda fico a torcer para que alguém te ligue e ofereça o que te faça voltar!)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

De volta a tudo e mais do mesmo...

Um começo de um novo ano traz-me sempre uma nostalgia. Um desfazer de malas e um voltar a casa que não considero casa mas que é onde moro. É onde continuo a morar para ir de encontro ao que quero e ao que preciso. Desta vez trouxe comigo a minha M.  Olhar para ela e sentir tudo o que já senti há dois anos e três meses atrás. Olhar para a família dela no Skipe e perceber o que possivelmente a minha família sentiu também. Não é fácil. Mas é isto que nos torna mais fortes. É isto que também a vai tornar mais forte. E há o facto muito importante: Nunca estamos sós. NUNCA nos deixam sós. Só estamos a umas quantas milhas de distância. Umas quantas milhas que nos fazem chorar um pouquinho. Que nos fazem sentir as tais ditas cujas, saudades.

sábado, 31 de dezembro de 2011

A todos os que me enchem e me preenchem, 11/2012

" Meu querido 2010,

O meu país está virado do avesso, a minha Europa anda toda às aranhas, os meus amigos estão a emigrar a cada dia, as greves são mais que muitas, a miséria é mais do mesmo.
Os noticiários informam apenas sobre aumentos, dívidas, declarações de falências, deportações de ilegais, mortes por acidente, explosões mortíferas, mortes por enfarte, cancro fulminante, etc etc.
Porque não noticiar nascimentos, mais curas disto e daquilo, descobertas importantes, negócios de sucesso, notas dignas de pautas, etc etc etc
Tu foste a vida do costume e, durante a tua estadia:
...o telefone voltou a tocar por más notícias, mais mortes, mais funerais, mais tristezas, mais choro, mais desgostos, mais dúvidas, mais incertezas, mais pessoas a passar fome, mais guerras, mais desastres, mais falhas, mais despedidas,mais doenças, mais saudades.
...mas, mais nascimentos, mais batizados, mais casamentos, mais namoros, mais paixões, mais estudos, mais gente, mais viagens, mais alegrias, mais conforto, mais abraços, mais companhia, mais beijos, mais colo, mais certezas, mais pancadas das boas, mais saúde, mais sucesso, mais aprendizagem, mais sorrisos, mais corar, mais e mais de tudo o que é bom.
Há um ano atrás disse-te que ia fazer de tudo um pouco muito mais. E cumpri.
Entrei na Universidade!
Fui feliz no trabalho!
Vim a casa as vezes suficientes!
Abracei e beijei mais!
Fui de férias para países e lugares diferentes!
Li muito mais!
Ouvi muito mais música!
Disse muito mais o que pensava!
E arrisquei TUDO!
Perdi mais medos.
Encerrei lutos.
E, como te prometi comi muito mais!
Não desejei nem pedi. Cumpri.



Passa a palavra ao teu companheiro em 2012!"

A todos os meus amigos, para que se divirtam  mais durante o salto às 12 badaladas de um novo ano.
Votos de um ano 2012 sereno e feliz.
Não desejem, não supliquem, não peçam.
Por favor, façam por cumprir, façam por acontecer...

Com amor,

Maryland

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Invadi a cidade


Estou cansada.
Há uns meses largos que não percorria aquele caminho a pé.
Meia desorientada enfiei-me pelo parque, ou melhor pelos parques.
A lua perfeita, só lhe faltava o nariz. Amarela, brutava do meio das árvores já quase sem folhas.
Tudo assim que meio avermelhado escuro misturado com a noite.
Sem mar, sem areia, onde antes me refugiava.
 Hoje, invadi a cidade.
Fui andando tipo sem abrigo, sem rumo.
Mas soube tão bem respirar ali no meio.
Os carros a passar mas a música que vibrava nos ouvidos só me sossegava de cada vez que se aproximava um cruzamento.
Dei por mim a pensar mais uma vez.
Pensar é claramente o meu problema.
Estou sempre muito melhor quando não penso muito.
É por isso que não me dou a estes passeios ou a certas músicas.
Simples: não penso.
Mas hoje bateu forte, quase que queimava.
As paredes esofágicas contraíam.
 O estômago libertava ácido e mais ácido e mais ácido e mais ácido.
Pena que só compreendemos situações nas nossas vidas algum tempo depois.
Cá para mim é um desperdício.
Logo e pronto, já está, era muito melhor.

Ai mas eu estou certa. Estou tão certa de mim e do que eu quero.
É isso que me dá a volta e me deixa feliz.

A melancolia só se deve aos dias escuros às 16h30m.





Porque já tenho pedras suficientes para o meu castelo.