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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O caminho - Em modo Variações.



Eu quero chegar lá aonde não cheguei. 
Eu quero aquele lugar onde não posso estar. 
Quero ver as pessoas que não consigo ver. 
Quero sempre dizer aquilo que acabo por não dizer. 
O querer mais no amanhã, daquele que não o é agora. 
Constantemente a desafiar a lei do caminho que deve ser o caminho. 
Uma maniazinha de furar mais ali na esquina ou de escolher aquele trilho que não era suposto. Aquela irritante teoriazinha do dar tempo ao tempo e tudo virá. 
Aquele insistir em mudar o rumo, quando tomo o lugar do António Variações e passo a estar bem onde não estou.

ahhhhhh vida, vida. Minha queria amiga. Companheira ciumenta do caminho.

Foram tantos e tantos os posts sobre regressar a Portugal. 
Tantos mas tantos. 
E regressei. 
Estou assim meio que a meio. Talvez se tivesse arranjado um lugarzinho ali na costa Francesa a meio caminho - Bordeaux ou Nantes... assim meio a meio, tivesse sido mais fácil!. 

Estou cá e lá que é para não sentir nem muito o regresso nem pouco a despedida.
E a vida tem sido tão vertiginosa que os meses estão a passar e ainda há tanto por alinhar. Mas é tão bom recuperar o ninho aos poucos. Recuperar aqueles almoços de domingo, o mar em frente, reconhecer os amigos que esperaram por mim e ainda me querem do lado. Mesmo aqueles que ainda não consegui ver e os novos que já fiz.
6 meses já contam novas estórias que já fazem história. E lá vem o Variações desalinhar os meus chakras.
E agora acrescento: LOL.
mean it!
Laughing Out Loud.

É que agora sei, que o que doeu ao longo dos anos foram apenas escolhas. Porque agora sei que escolhas trazem sempre um trade-off agridoce que nos fazem querer estar onde não estamos. Não existem lugares perfeitos, empregos perfeitos, pessoas perfeitas. E se não somos perfeitos,  como poderiamos exigir perfeição em tudo o resto?

E finjo ter paciência para a incerteza, para os medos que assaltam em vésperas de novas mudanças.
O meu avô Jo diz que isto é viver intensamente. Que assim seja. 

Porque fazer este caminho, tomando-o como garantido, é errado. A vida dá e tira num piscar de olhos. Há quem diga que a liberdade e a sabedoria são o melhor que se leva daqui. Que se leva não sei, porque a vida vai parar um dia, e eu não sei para onde vou, nem o que vou levar comigo. E se for para o céu como gosto de pensar, então vou lá ter tudo o que precisar e ver toda a gente que quero ver.

Mas, se for mesmo isso que se leva daqui, então que sejamos livres no ser, no estar, e que possamos guardar sabedoria suficiente para amar e querer. Que a vida é breve, e ciumenta.


ps - Escolhi esta fotografia tirada em Fátima porque primeiro, a adoro. Adoro a calmaria das nossas expressões. O descanso do lugar e da pasmaceira garantida que lá se viveu. Mas, também porque o ano 2018 é marcado por uma distância de 20 anos desde que a a minha Mãe morreu. E foram 20 anos que agora, a cada mês que passa, tento torná-los mais doces. A idade traz-nos alguma inquietude e um querer viver mais, mas também melhor. A mágoa e a dor ocupam-nos sempre demasiado espaço. 

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O lado cruo da Enfermagem

Mas Há os dias do corredor.Aqueles de ajoelhar e pedir que não.
Aqueles do pedir por aquele milagre que não aconteceu mas nós temos de ser os últimos a deixar de acreditar.

Aqueles dias em que o chão e dois braços em volta das pernas são a melhor posição quando comparado a qualquer yoga ou pilates.

Em que Tudo o que dissemos soa a falso, a linha de livro, a diz que disse, a frase feita.

Não somos super heróis. Não somos Deus. Não somos fadas madrinha. Nem Budhas. Nem Alas. Nem Senhoras do Lemanjá.

Lado cruo.

êpêpêôs, prilimpim pins, abracadabras, levantar do chão e seguir na viagem.








domingo, 5 de novembro de 2017

Fala-me de gratidão



Quando coloco numa pesquisa de Google, "o que significa gratidão", são inúmeras as explicações em volta da simples frase qualidade de quem é grato. Depois leio "sabe mesmo o que significa?" ou o que "diz a Biblia sobre isso". A Wipedia diz-me que "gratidão é o ato de reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio, um favor etc. pode ser explicada também como recognição abrangente pelas situações e dádivas que a vida lhe proporcionou e ainda proporciona". Mas o mais bonito vem mesmo desta uúltima fonte, gratidão é uma emoção. E eu como poço de emoção que sou deveria saber.

Falho e falhamos em muitas coisas na vida e cobramo-nos disso mesmo. Calculo que desperdiçamos mais horas a reflectir por tudo o que é mau ou correu menos bem, do que tempo a reflectir no que surgiu de novo depois da queda. Portanto, gratidão tem de surgir no bom e no mau porque depois do mau vem sempre uma aprendizagem e temos de estar gratos por ela mesmo.

Noto que antepassado pouco escrevi. Estava demasiado ocupada a estudar numa das universidades Top do mundo. Tinha demasiados planos e afins. Depois as expectativas caem, as oportunidades não se concretizam logo e eu pimba, lá venho devagarinho por aí abaixo.

Agradeci devidamente a coragem do meu esforço? Talvez não. 
Reconheci a oportunidade única? Talvez não.

Em posts passados, lamento-me de amores não correspondidos e de corações partidos. Alguns relacionados comigo, outros de situações escutadas. Falo de amor como senão houvesse mais oportunidades e pessoas para amar. Totalmente errado. Talvez se fossemos mais gratos por termos tido a sorte de privar com Y ou beijar o X, a nossa vida seria mais desprendida.

Reconheço em mim a maior dificuldade na gratidão. A de agradecer apenas 13 anos com quem me trouxe vida, à vida. Quem me conhece sabe que a morte para mim é como uma carta do Enforcado numa consulta de Tarot - uma barreira, é como um Tornado enforecido, é como uma flecha que depois de solta não recua, é como uma palavra que depois de dita já não se altera. Quem me conhece sabe que trago essa angústia e que, como católica que sou, é talvez a minha maior tortura de perdão. É o meu trabalho psicologico de vida. Perdoar esta ausência que me desiquilibra. Mas desde que reflicto mais sobre o que é a gratidão que de facto me venho a segurar no caminho, pareço mais alinhada e movida a sentimentos de puro agradecimento por uma infância pura e feliz e que me construiram enquanto mulher independente e rija como diz o meu querido avô Jo.

E agradecer a sáude? e agradecer a família? e agradecer os amigos? E agradecer o trabalho? a carreira? O sol, a noite, o hoje, o ontem, o que foi, o que passou, o que tem de ser, o que está por vir?

Eu defino gratidão não só como um reconhecimento ou emoção, mas sim como um dever. Devemo-nos isso. Devemos isso à vida. Estamos aqui e agora. São milhões sem sáude, sem família, sem um emprego, sem amor, sem dinheiro, sem segurança, sem direitos, sem sorte, sem luz, sem pertença, sem país, sem casa, sem nada. 



Amanhã virá e se for preciso começar de novo, começamos. Há os que defendem que quanto mais gratos estamos, melhor virá e ainda há os que dizem que quanto mais gratos mais livres.

Então, esteja grato pelo que tem hoje e agora. 
Eu vou esforçar-me por fazê-lo com mais frequência, façam também.

Com toda a gratidão pela vossa leitura


quarta-feira, 16 de março de 2016

The choice





Depois de mais um filme de Sparks no cinema, mais pensamentos ocorrem. Mais se desorganizam.
Ando aqui há dias aflita a tentar colocar ordem nisto.
A verdade é que nunca ninguém me olhou assim. Ou então eu nunca vi ou senti alguém olhar.
Tenho a minha resposta.
E encaixa em todos os atos falhados. Em todos os erros do percurso.
Realmente só nós mesmas é que nos deixamos enganar pelo caminho. Acho um máximo e, alivia imenso esta concretização.
Isto parece uma conversa tola mas a verdade é que chegar a esta constatação é fácil mas, entendê-la ou melhor, aceita-la... leva meses, anos! Porque vamos errando por aí fora. E, porque não somos todos iguais. E sim, há mulheres que não precisam de estar constantemente com um homem ao lado.

Acho que vou falar na primeira pessoa. Não sei se isto se aplica por aí. Há muitas relações que admiro, estimo e felicito.
Aquele olhar entre eles.
Já outros... também não sei a quem se enganam e porquê.
Por estes últimos, agradeço imenso esta minha independência.

Eu quero ser olhada. Um dia.
Admirada. Um dia.
E vou esperar. E vou deixar para mais tarde.
 Porque, por agora já me cansei das incertezas e dos medos dos outros.
Se aparecer que seja para ser, sem os "e se..", "acho que nos precipitamos", sem os "talvez" que são nãos bem claros, mas que só são descodificados quando já nos colocaram uns patins em linha.

Se não aparecer, numa boa. 
Efectivamente não pode acontecer a toda a gente.

Mas uma coisa é certa, se não querem, não insistam. O que decidirem, decidam com o coração.



domingo, 21 de junho de 2015

Percursos de uma Enfermeira Chefe, Senhor Primeiro Ministro

Eu deveria criar uma Etiqueta para #cartas de Passos porque de facto Sr Primeiro Ministro escrevo-lhe tanto, de tempos em tempos. Mas olhe que ainda não aceitei o acordo ortográfico. Portanto, não se desiluda com isso também.
Esta semana, recebi a notícia de que a minha entrevista para Enfermeira Chefe foi "outstanding Maria!" e, o lugar foi me dado a mim. Enfermeira Chefe. Sister, em terras de Sua Majestade. Uniforme azul escuro. Vestido, prefiro vestidos.
Agora, o que o Sr Primeiro Ministro não sabe é que demorei 2 dias para ganhar coragem para dizer à minha família e alguns amigos. Coragem... precisei de coragem. Pode isto? 
Estou há 2 anos, mês após mês, visita a Portugal após visita, à procura de emprego na minha área - Enfermagem em Fertilidade. 
Tomei a decisão de partir para Londres - eu NÃO EMIGREI - (muito antes da sua sugestão, que o Senhor se recusa a assumir mas que eu me lembro das suas palavras nesse mesmo dia!) em 2009. Comecei pela cirurgia plástica. Depois mudei de Hospital e segui Ginecologia. Fiz pós graduação (o intuito da vinda!) e ali continuei até ser Senior. Mudei novamente há dois anos e meio para uma das clínica de Fertilidade com mais prestígio no reino Unido. Em 2012 quando comecei, comecei novamente do zero, como uma enfermeira júnior. Quis fazer de tudo para me especializar porque pensei que assim seria mais fácil regressar para Portugal. A especialidade em Fertilidade seria uma boa promessa para o meu país. Desde então... Júnior, depois Acting Senior, depois Senior e agora... agora Sister
Que mais Sr Ministro? 
Sabe que a última resposta que recebi de uma das clínicas de Portugal foi de que tinha muito no meu CV. 
E agora? Acha que deva acrescentar mais esta?
Coragem.
Coragem foi o que precisei para informar a minha família. Família que está cansada de me ver chorar. O meu pai nem sabia o que dizer quando eu só chorava a dizer que era enfermeira chefe. Ninguém chora com uma notícia destas. 
Coragem é o que vou precisar para seguir.
O Senhor viu a família hoje? Jantou bem? O seu motorista foi buscá-lo?  Que bom.
Olhe, eu acordei e estive a comprar o bilhete dos transportes durante os 4 dias que vou estar em casa para o aniversário do meu pai. Este ano consigo ir! Jantei aqui sozinha no meu quarto. Sim, partilho casa porque neste país não ganho o suficiente para ter casa própria. Carro? Também não. Mas cá fora é que se está bem, não foi o que disse? 
Eu agora respondo-lhe: estamos bem porque somos reconhecidos profissionalmente por todo o nosso trabalho, dedicação, rigor e profissionalismo. Mas não somos reconhecidos emocionalmente. Porque para esse reconhecimento é preciso termos do nosso lado quem mais amamos.

sábado, 18 de abril de 2015

La Fuga


A emigrante que não quer ser emigrante.
Aquela que saiu sem saber exactamente porquê.
Aquela que ao chegar já queria voltar.
Não à criação de raízes.
Não ao assentar como todos os outros.
Não à normalidade dos outros.
Não ao querer ficar.
E ir para onde?
Voltar para o quê?
Meia dúzia de incertezas e mais alguns porquês.
Uma resma de forças e nem falo francês!
Quando vagueia pelas ruas assiste a casais felizes, a multidões que urgem chegar ao escritório, a almoços em movimento em que se o garfo cai no chão por um empurrão, já o dia começa a correr mal!
Assiste ao passear do cachorro pelo parque, aos primeiros passos do bebé e ao desportista madrugador.
Como assentar num país onde não se quer ficar.
Como arranjar o cachorro se não se tem casa própria.
Como convidar amigos a jantar se a casa é partilhada com estranhos.
Como comprar o carro se conduzem ao contrário.
Como discutir com alguém que não sabe da tua cultura?
Mas lá fora é que é bom. Lá fora é que se está bem. Portugal não é para si.
E vai chegar o dia em que vai aceitar que vai ficar?
Ou vai continuar a adiar cada investimento, cada vontade, cada prioridade?
E vai andando na altivez dos elogios profissionais.
E vai à procura de alternativas.
Vai na encruzilhada do labirinto da fuga.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O mistério


Quando escolhi ser enfermeira, eu sabia que haveriam momentos duros. Muitas vezes não só a nível físico mas muito em parte, a nível emocional.
E de emoções meus amigos... estou eu cheia!
Tem dias que pareço um passador de lágrimas desnorteado. Brotam por todo o lado em descontrolo absoluto.
Ontem foi mais um dia.
Todos os meses são centenas de casais a entrar pela clínica em busca do milagre da vida: o bebé.
Mas nenhum deles sequer imagina que depois de conseguir o dito milagre, os riscos a que este está exposto são iguais a qualquer outro ser que foi criado naturalmente, muitas vezes até sem ser planeado ou desejado.
Que lições teremos nós de aprender?
Porque existem pessoas que parecem sofrer tão mais que qualquer outra?
Tem dias que me apetecia pedir a Deus para que dividisse melhor esta dor. Sempre ouvi dizer que quando partilhada, dói menos.

Como se encara o amanhecer quando, depois de "minhentos" tratamentos e uma gravidez terminada às 25 semanas por malformação, se encara agora um pequeno milagre com 13 semanas e uma leucemia rara?

E mais não digo porque me falham as forças na escrita. Porque me assalta uma raiva desmedida. Porque me assombram pensamentos negros e dolorosos. Porque de injustiça está este mundo e o outro cheio.

E não consigo de deixar de ser egoísta no pensamento. E, de trazer toda esta experiência do outro para a minha própria vida...porque eu ainda me lamento por tanta coisa que me fez sofrer. Quando a minha vida ainda nem a meio vai! (assim espero).

Que mais irá chegar e quando...

... o mistério da vida.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

I am Portuguese, thank you.

                                  

Ora Bem Sr Passos Coelho, deixe-me contar-lhe um dos meus dias no trabalho da semana que passou.
Por volta das 7.30h da manhã entrei na clínica (que está inserida dentro de um Hospital), e disse BOM DIA em português. A recepcionista é Portuguesa. Continuei então até ao vestiário e passei pelo Sr B., e, disse BOM DIA em português. O Sr das limpezas é Português. Subi então ao piso 1 A, onde se encontra a clínica e disse BOM DIA à S. A S. também é portuguesa e trabalha na Recepção. Continuei e fui para o escritório das enfermeiras. Por volta das 10h chegou a enfermeira V. Mais um BOM DIA. Depois do almoço fui ao piso 3 onde se realizam as cirurgias das nossas pacientes para entregar os ficheiros para o dia seguinte. Três vezes ATÉ AMANHÃ a três enfermeiros. Vinha eu descansada para baixo, em direção ao bloco e passo pelo Sr C. TUDO BEM?, um auxiliar português. E, para finalizar, entro no bloco para confirmar a lista do dia seguinte e falo com uma A.M.... 

Vim a caminhar para casa a pensar que o Sr deveria saber, já que aconselhou a 10 milhões de portugueses para saírem! Olhe, por aqui não se preocupe. Já cá estamos alguns e somos muito bons!
Mas deixe-me que lhe diga, de todos eles, o Sr Coelho está com sorte! Pois eu sou a única que continuo a insistir em querer voltar!

De facto, até me sinto mal por lhe escrever sempre a si... Cada vez me convenço mais de que o país está hoje assim por toda uma combinação de situações mal controladas, mal investigadas, mal geridas. O Sr é só mais um a contribuir para isso!


sábado, 15 de novembro de 2014

O mundo devia refletir mais.

                                        

Não nos chegam os filmes. Não chegam as imagens. Não chegam as reportagens. Não chega o conhecimento de que acontece. Não chega a desgraça em redor. Não chegam os gritos. Não chegam as bombas. Não chega a fome. Não chegam os campos. Não chegam os refugiados. Não chegam os órfãos. Não chega a sede. Não chegam os amputados. 

Não nos chega a violência. Não chegam as armas. Não chegam as lágrimas. Não chegam as rezas. Não chegam as religiões. Não chegam as promessas. Não chega a dor. Não chegam as mortes. Não chega a destruição. Não chega o medo. Não chega a política. Não chegam os diamantes. Não chega África. Não chega a Ásia. Não chega o petróleo. Não chega os genocídios. Não chegam os jornais. 

Nao chegam as enfermeiras. Não chegam os jornalistas. Não chegam os médicos. Não chegam as doenças. Não chega. Os testes. Não chega a corrupção. Não chegam as viagens. Não chegam os cobaias. Não chega hollywood. Não chega a ferida. Não chegam as armas. Não chegam as guerras. Não chegam os exércitos. Não chegam os acordos. Não chegam os pactos. Não chega a paz.


Ps- adorei o filme.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Exemplos que ficam para sempre. R.I.P. Brittany

Não gosto do facebook por razões que para o caso não interessam.
Gosto do facebook quando, estando longe, me aproxima, e me deixa fazer parte da vida dos que conheço e que gostaria de estar perto, diariamente.
Contudo, hoje, serviu para me informar de que Brittany Maynard, tinha decidido colocar fim à vida.
Confesso que desde então, comecei a tropeçar no dia, na vida, nas memórias. 

Fico assim por momentos a olhar para o ecrã sem saber exactamente o que dizer ou por onde começar. 
Para muitos um acto de egoísmo, para outros um acto de coragem. 
Não criticando os comentários nem tão pouco a Brittany, atrevo-me a dizer que se trata de um acto de liberdade. Liberdade de escolha. 
Egoísta? Também. Porque jamais, para uma família será leve, aceitar a partida de alguém que se ama. De coragem? E que coragem!

Segui de perto esta estória porque a descrição dos episódios médicos, das situações, do potencial desfecho e desfiguração... Me eram familiares em imagens e vivências. 

Para mim, esta rapariga foi de uma grandeza ímpar, una!

Para a maioria das pessoas que conheço, e a quem já abordei o tema Morte, em nada as afecta o pensamento de finitude mas sim, a questão de sofrimento e a forma como vão morrer.
Para mim afecta-me tudo o que esteja relacionado com a Morte. 
Afecta-me a finitude, a minha morte e a dos outros. Afecta- me deixar mil e uma coisas por fazer.
Ao contrário, não me assusta se vou sofrer, por mais incrível que isso seja.
Em tempos, a minha avó já se arreliou porque me considera uma mulher de fé, portanto não compreende o porquê de ter medo em morrer. O incrível é que para mim, uma coisa não invalida a outra.

Encontro-me ainda, muito em pedaços. E a tristeza que sinto mais uma vez,  ao ver uma rapariga da minha idade, com as mesmas potencialidades nesta vida, a desaparecer, só me traz momentos de reflexão bombardeados por uma angústia mal tratada.

Quando a meio do dia dei por mim a chorar encostada à parede da wc, deixei-me cair até ao chão e apertei-me com força de braços em volta dos meus joelhos. E agradeci. Agradeci por toda eu estar bem e saudável. Esqueci por instantes a mágoa que tenho em relação a mim, aos meus acontecimentos, ao meu mapa, às minhas decisões e ao meu destino. 
Naquele momento, soube, que o deveria fazer mais vezes. Que deveria continuar com a mesma fé na minha caminhada. Que por mais quedas e desanimos, que por mais contramãos ou fracassos, que por mais portas fechadas e trilhos, a vida ainda esta toda à minha frente. As decisões estão todas feitas. E o presente está aqui. De dia. Ao acordar. Ao amanhecer. Com alegria.
Do passado, vou cuidadando com carinho, trabalhando a perda e a saudade.
Do futuro, que venha com vontade.

Descansa em paz B.


                        





sábado, 11 de janeiro de 2014

Please do inspire me.

                       


Acabei de sair do cinema. Sim, fui ver o filme sobre a vida de Nelson Mandela. Saí de lá com o coração tão cheio de força e amor por tudo e todos. Dei por mim a pensar em tudo o que se tem visto no decorrer das ultimas décadas, séculos, milénios. 
Um planeta chamado Terra que é verde e azul. Com um raiar amarelo e repleto de gente e animais de todas as cores. 
Uma Terra chamada Mundo que é cinzento e sangrento. Onde, no decorrer dos anos a violência esteve presente, as armas tiveram mais força do que as palavras e onde o amor pouco ou nada serviu para, a tempo curar e aquecer corações. E, não me venham dizer que foi uma luta de brancos contra negros. Não foi assim há tanto tempo que os brancos lutavam pela sobrevivência num campo de concentração. E, ainda ontem saiu no jornal pela milésima vez a batalha no Sudão de negros contra negros. Falemos de cor, de religião ou de política meus senhores. Tudo serve para se matarem uns aos outros.
Este mundo mete-me nojo.
E, eu meto-me nojo a mim própria por sentir tudo isto e continuar a deixar as minhas ideias e vontades no papel. Continuar a sentir um medo do desconhecido e uma certa dificuldade em ir.
Depois, todas estas vidas grandes me enchem e preenchem. 
Saber que existem pessoas que vêm de facto a este mundo para marcar com tanta distinção e sabedoria nas palavras e nos actos.
Um saber esperar e um saber sobreviver que lhe custou mais de vinte anos em prisão. 
Mas acima de tudo, um saber viver na arte de saber perdoar e aceitar. 
Aceitar os desígnios da vida e do melhor que esta para vir. 
Num mundo mais justo e com menos indiferença.
Obrigada Nelson Mandela.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Um dia até os vou içar de helicópetro.


Já devia saber que os senhores doutores médicos ficam sempre à frente. É esta frustação que me alimenta. Mais um sonho quebrado mas isso não quer dizer que desista. Esperem só até ver o que vou fazer. Tenho furado até me doer e vou continuar até um dia estar ao mesmo nível e então aí dar-lhes um aperto de mão com um sorriso nos lábios. Custe o que me custar. Mesmo que isso signifique estar longe de casa, horas de estudo, papéis preenchidos, sonhos adiados. A tartaruga demora mas chega sempre onde deve descansar. Filhos da mãe. Sinto uma raiva cá dentro que não compreendo como ainda me afecta. Eu já devia saber, ou melhor, eu já sei, que comigo, nada funciona à primeira. Nada chega na primeira entrevista, nada chega na primeira abordagem, na primeira vontade de me candidatar às coisas. Não, não chega porque sou enfermeira. Os enfermeiros às vezes são pouquechinhos. Um dia viro ministra e aí vou ver. Um dia viro presidente da ordem e aí vou ver. Um dia mudo esta merda de sistema de triagem e selecção. Secalhar o melhor é um dia deixar de ser enfermeira e ser outra coisa qualquer.
Portanto meus amigos, Costa Rica foi por um canudo. Tanzânia foi por um canudo. 
Agora? Agora vou pagar 900 libras e vou fazer um curso intensivo de uma semana na montanha. Vou aprender de tudo acerca de um traumatizado para estar ao nível do senhor doutor. Vou saber tanto que o senhor doutor não vai ter tempo para pensar e responder. Se for preciso até aprendo a içar de um helicópetro para fazer o serviço completo. Mas a mim ninguém me pára. Nem que um dia até vire a médica que sempre quis ser mas que até aí, o sistema de selecçção já estava implementado e não me deixou. Um estudante com média de quinze não tem direito a ser médico no meu país. No meu país o senhor doutor é de 19 valores. 
Um dia meus amigos, viro médica e enfermeira num só. Quero ver quem me diz: " Maria, você tem imensas qualidades, no entanto, as vagas já estão preenchidas pelo doutor x e pelo doutor y. Que tal tentar para o verão que vem?". Um dia escolhem-me a mim e ainda poupam dinheiro! Sistema de ricos, de ordens e profissões poderosas. Hoje, não interessa nada querer dar, querer ir. Ainda que com o nosso próprio dinheiro. Hoje há que poupar tanto que já não há espaço para pessoas com menos experiência. Eu só me pergunto, quando vou ter espaço para ir ganhar experiência?
Um dia meus amigos, ganho o euromilhões e vou sozinha.
Hoje, só quero cama e uma almofada por cima da cabeça e esquecer que o mundo está lá fora. Que chove há dias sem parar. Que quero ir para casa pôr o pé na areia e dar um mergulho no mar para acalmar a desilusão.

terça-feira, 12 de junho de 2012


Mas que bela sensação cá dentro. Mas que cansaço saboroso. Mas que sonhos tão acesos. Mas que vontades tão atentas. Mas que planos acesos e predispostos.
É assim que deveria ser sempre.
De repente fui chamada para um acampamento de preparação para a missão de 2013. A correr fui à Decathlon comprar material, visto ter tudo em Portugal. Não fiz más escolhas!

E pronto, lá fui parar algures perdida no meio de uma floresta em Inglaterra. Disseram-me a estação onde deveria sair. À chegada retiraram telemóveis e carteiras e tudo mais de valor e dividiram-nos em grupos de 8.
E lá fui eu.

Cenas hipotéticas, tempestades fictícias, imobilização de feridos, comunicação via rádio, noite de sono de apenas 3 horas, mudanças de acampamentos, comidinha enlatada, trekking nocturno, atravessamento de lagos,   etc etc etc...! Por momentos estive em cenas como se tivesse na Índia, na Costa Rica, no Borneo ou na Tanzânia. E, sempre com um grupo fantástico de colegas e de mochila às costas!

Agora é aguardar por uma proposta até sexta feira. O meu desejo é mudar de vida, sempre. Com um brilhozinho nos olhos.


sábado, 24 de março de 2012

Se ao menos o Patinhas fosse meu Tio.



As minhas ausências dão algum sinal de desânimo, de cansaço, de desilusões com pessoas, com terras, com lugares.
Caramba que ser adulto dói demais.
Tenho um coração cheio de amor, para lá de grande... embora fraco. Amor para quem não quer e, para quem quer, não tenho dinheiro para o levar lá. Oxalá a vontade de ir fosse só o mais importante. Tenho de trabalhar para juntar o que preciso para o levar lá e, não está a ser fácil. Além disso, apenas um CV obteve resposta o que, torna a motivação diminuta.

Dias de avesso.

Estórias que não encantam nem embalam.
Mundo cruel e injusto para variar e virar de página.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Mas para onde?



Volta e meia e esta cabeça anda às aranhas, às voltas a pensar no que fazer e como fazer.  Mas eu gosto. É claro que eu gosto. Dá-me aquela pica, aquela vontade de ir e fazer.
Mas quando me dão estas crises assaltam-me os cifrões, as viagens, os locais, as seguranças, a família. Toda a vida vivi com medo de perder as pessoas que amo, que amei. Cheguei ao ponto de dizer que o pior que me podia ter acontecido, já me aconteceu com a minha Mãe. Mas não é bem assim. E o meu Pai? E a minha irmã? Há-que pensar direito.
Vou para onde? Borneo? Índia? Costa Rica? Colômbia? Nigéria? Angola? Vou por quanto tempo? Vou a representar que país? Deixo Londres para já? Volto quando? Vou quanto tempo? Pagam-me? Vou ser voluntaria como há uns anos?
É tão fácil ter a vontade de ajudar. Ajudar os outros num ato altruísta. É tão fácil querer mudar o mundo. É tão fácil querer ir. O querer ir. Aquele querer ir. Aquela chama aqui dentro que me diz para ir.
Ainda ontem, aqui me sentei a contar e a fazer contas aos meses que tenho pela frente. A pensar no dinheiro que algumas organizações já me pediram. Até estas já estão burocráticas. É só nestes meus momentos que queria ter nascido rica. Não muito rica. Apenas com o suficiente para marcar a viagem ontem e partir. Partir por três ou quatro meses.
Mas querida família e queridos amigos:
A partir de Setembro, eu vou. Eu vou daqui para a América Latina ou África...vou guardar cada centâvo mas vou.  Vou matar as saudades daqueles sorrisos brancos e puros. Vou matar as saudades daqueles abraços quentes e de dar colinho a quem precisa.




Um dia, um dia ainda tenho a minha Organização Não Governamental. Sem papéis, só com vontades!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Still don't know how...

E ali estava eu outra vez. Mais um médico da Consulta Externa que me telefonou a pedir para estar com ele presente na Consulta. Naquelas consultas impróprias para a minha pessoa. Mais um diagnóstico lixado, mais uma vida abalada, mais uns sonhos traídos, mais um período adiado.
Ela sentada, o marido na cadeira do lado e, o médico lá começou..." o resultado não chegou como o previsto, infelizmente as notícias não são as melhores mas vamos ser positivos. Você só tem 38 anos".
Ó senhor doutor médico deixe-se de merdas e avance com o veredicto pensava eu.
"Infelizmente tem um cancro. Mas olhe que é de estadio 1, todas as hipóteses em aberto".
Todas as hipoteses em aberto? Vá à merda. Que hipotese em aberto é que uma mulher tem depois de já ter vencido um cancro da mama há três anos atrás. Tudo de novo? Tudo abalado outra vez? Não bastou uma vez?? Está este singido ao útero ou já está por todo o lado??
Ó que mundo injusto. Ó que mágoas que me assombram. Num momento acho que estou bem, que segui a minha vida, que tudo passou. Mas, depois nestes segundos em que por azar os médicos só me querem a mim na sala desfazem-me em pedaços. A minha doente firma e hirta a receber esta bomba e eu só me apetecia desfazer-me em pó.
Mas lá fiquei, lá ouvi, lá permaneci. De cada vez que oiço isto, sei que continuo a mesma descrente no que toca a esta doença. Para mim, não há sobreviventes. Há aqueles que continuam a lutar com forças do além. E há os que por cansaço adormeceram. Quando tenho de ouvir isto, a minha raiva e tristeza sai do buraco fundo que está escondido em mim e assalta-me a gaveta das memórias e traz cá para for tudo o que há de mais feio. Tudo o que há de mais cruel no que toca a pensamentos.
Por algum motivo não consigo trabalhar em Oncologia. Sei que não ía fazer um bom trabalho, sei que não ía ser boa enfermeira. Talvez por isso queira ir trabalhar ao que chamam o Terceiro Mundo. Salvar pessoas de outra maneira, com outros problemas. Eu sei que isto é de um egoísmo extremo e é por isso que me orgulho de ter a G. na minha vida, que é a melhor enfermeira no IPO português. Engraçado que nos inscrevemos no mesmo dia para ir para lá trabalhar. Até hoje, nunca fui chamada.

E a lição do dia?
A doente olhar para mim aquando a saída e dizer:
" Maria, obrigada por tudo: Já venci um, outro? Piece of cake!"

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Definetly, Not meant to be


O mundo está cheio, ofuscado, sobrelotado, exausto, repleto de pessoas que não prestam para nada. Pessoas essas que vivem a vida em função do desprezo e da manipulação aos que não pertencem à laia deles.
Faço me entender?
Não....?
Eu passo a explicar melhor.

O mundo está repleto de pessoas imperfeitas. Somos todos imperfeitos o que não é mau.. No entanto, o problema reside no facto de uns serem bem mais imperfeitos que outros.
Não percebo como é que ainda me deixo levar na onda de que "afinal ainda há pessoas boas e honestas". Se existissem não estaríamos, de uma maneira global, como estamos.
Não teriamos um mundo desigual e inconstante,egoísta,  injusto e prepotente como temos.
Há pessoas nojentas e mal formadas em tudo o que é sector. A saúde não é excepção.
Agora eu coloco a questão, porque raio são sempre estas pessoas que estão no poder?
Sim, porque os bons, os bons ou morrem cedo, ou são ofuscados por tanta maldade.
Não me incomoda escrever para aqui estas parvoíces. De verdade. Não me importa quem as lê. Tenho a certeza de que todos vocês já levaram patadas e cotoveladas para sairem da frente de alguém.
Vão com certeza concordar comigo.
Já foram atropelados por alguém que não vos podia ver, ouvir e ter pela frente.
Porquê?
Porque somos bons.
Somos puros.
Honestos e dignos de muito.
Somos uma ameaça para estes micróbios da sociedade.
E porquê?
Falham-me as palavras por me sentir assim meia angustiada e triste ao mesmo tempo.
Passo a vida a acreditar demais nos outros, a dar demais para levar em troca respostas que de facto não as merecia.
O mundo do trabalho é um mundo de competição. As pessoas atropelam-se de tanta estupidez.
Eu não quero fazer parte desse grupo.
Eu não quero contribuir para esse engarrafamento.
Hoje, cheguei à conclusão de que não foi isso que vim à procura num outro pais.
Não.
Isso também eu tinha num outro qualquer. Não quero estragar a minha estadia aqui.
Eu vim sim, para crescer como pessoa e estudar mais e melhor onde efectivamente me sinto feliz e onde anseio reter todo o conhecimento para viajar e ser uma cidadã que poderá então fazer alguma diferença ao outro, no outro, para o outro. Ainda que isso posso ser utópico.
Hoje, o facto de me ter sentido usada nos últimos meses sem uma única motivação e, de me ter sentido posta de parte como um nada, só me faz sentir ainda mais forte e confiante de que o meu propósito é de facto uma carreira na área da ajuda humanitária e não sentada em frente a um computador a delegar funções nos outros via email. Perdoem-me quem o faz. Mas se todos gostassemos do amarelo o que seria do azul. Eu não consigo estar horas em frente a um computador. Admiro quem o consegue.

O mundo assim, com pessoas assim, não vai longe. Os hospitais não vão longe. E eu nunca aspirei a ser rica. E não, eu não estou triste. Eu estou é aliviada por manter os meus princípios e a minha maneira de ser. Há-de haver alguém que goste e a aprecie.

Acho que vou andar eternamente em conflito com os hospitais, com o sistema, com esta merda de sistema.
Quero voltar a ser pequenina e não saber nada mais do que montar a quinta dos pinypon.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Dame Claire Bertschinger

Para quem não a conhece.
Para quem nunca a viu.
Para que percebam o que estou a sentir, a viver e a absorver.
Vejo-a todas as Quartas-feiras nas aulas.
Tive o prazer enorme de lhe apertar a mão ontem de manhã.
E, nunca vou esquecer o que ouvi e o momento em que me felicitou por ter entrado no curso.
.

Leiam o livro se puderem!





quarta-feira, 14 de setembro de 2011

"Where there is no doctor"



Foi sem dúvida o dia mais feliz da minha vida nos últimos anos. Estava a precisar deste empurrão. Estava a precisar de sentir este nervoso, de me sentir dormente de alegria. A vida não avisa mas, abre-nos portas quando menos esperamos. Hoje, sinto que tenho uma avenida à minha frente. Uma avenida que me leva a uma auto-estrada com mil e quinhentas conexões de entradas e saídas. Hoje, ao entrar na LSHTM a minha vida mudou. Os meus projectos solidificaram e, ainda tenho tudo para fazer. Hoje foi só o começo. O começo do curso, do projecto, do meu projecto de vida. Estava com sede de ouvir toda aquela experiência. Pessoas que já tiveram em mais de 100 países. Em missões de guerra, de desenvolvimento como eu estive e, em situações de catástrofe. Depois desta pós graduação vou ser até capaz de diagnosticar e perceber a diferença entre malária que mata e malária benigna. Sei lá. Eu neste momento estou cheia de mais para dormir. Tenho uma pilha de informação, livros e apontamentos aqui do lado.
Não vou parar. Não agora depois de tudo o que vi e ouvi em apenas um dia.
Não depois de ouvir uma Senhora de 80 anos dizer que ainda trata de leprosos no Nepal.
Não depois de ver 10 canadianos, 3 australianos, 1 chinesa, 2 do Uganda, 3 portugueses, 2 americanos etc etc etc  a virem de propósito para este Diploma.
Não depois de saber que os meus professoras são autores de grandes biblias que conheço.
E, não depois de saber que vou estar apta para cuidar onde não existem meios para. Em qualquer parte deste mundo. E vou seguir. E vou brilhar!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

I'm a nurse but I wanted to be a surgeon.


Esta é uma altura de festas, parabéns, aniversários, comemorações. Começou no fim de Janeiro e só vai acabar quando eu quiser.
Vem o Carnaval, vem os meus anos, vem a Páscoa, vem a Primavera, vem o Verão!
Hoje, lembrei-me de que sou enfermeira há 4 anos. Fevereiro de 2007.
Engraçado que não sei porque decidi ser enfermeira e, continuo sem saber se me encaixo, ou melhor, se esta profissão se encaixa em mim.
Why try to change me now?
Como é possível aos 18 anos sabermos exactamente aquilo que queremos ser quando formos grandes? Em todos os meus cadernos da escola primária e do ciclo está escrito que eu "Vou ser cirurgiã". Até nas aulas de inglês do 6º ano "I will be a surgeon because I want to cure people". Muito bonito. Muito romântico e parvinho.
Cheguei ao 12º ano e PUM! Média de 14.5
 Grande cirurgiã que me tornei.
Os sonhos só acabam se quisermos mas a vida correu e virou para outros lados.
Enfermagem.
Depois a famosa missão humanitária. Cabo Verde. 
Depois a ambição de um Mestrado em Saúde Pública.
 Depois o querer fazê-lo no estrangeiro.
Depois Inglaterra.
Depois e depois e depois... aqui estou.
Há 4 anos enfermeira em cirurgia. E, agora, em Plástica. Nada a ver com Saúde Pública.
Vida gira e agitada.
Gosto.
E gosto muito de ser enfermeira.
Mas também quero um dia abrir um restaurante.
Mas também quero um dia aprender a tocar bateria, violino ou guitarra.
Mas ainda quero fazer um curso de fotografia.
bla bla bla....
:)